Londrina - Um cantinho, uma leitura. Nas duas gestações de Andrea Pimenta, a prática de ler histórias quando os filhos Heitor, de 10 meses, e Alice, de três anos, ainda estavam na barriga era quase que uma rotina. Sendo arte educadora e pedagoga, Andrea conta que aproveitava o momento para "trocar" carinho e de certa forma, se tranquilizar.
"Acredito que o vínculo vai se fortalecendo. É uma atitude importante. Tem muitas gestantes que participam de outras atividades, porém nem sempre estabelecem essa conexão com o bebê", diz.
Recentemente, a Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou uma recomendação aos pais para que leiam para os filhos desde o nascimento até pelo menos os três anos. A entidade defende que ler em voz alta para os pequenos pode reforçar a relação entre ambos.
A professora Carol Matos, de 28 anos, está grávida de sete meses e acredita que o exemplo de seus pais é uma forte influência na maneira de lidar com a espera de Anita. "Venho de uma família que sempre teve o hábito da leitura e acho que esse estímulo em contar histórias para minha filha é natural. Desde quando descobri a gravidez, converso com ela (bebê)", afirma.
A AAP afirma que "ler histórias com regularidade para crianças pequenas desde o seu nascimento estimula de forma ótima seu cérebro e reforça a relação com os pais em um momento crucial de seu desenvolvimento. Em contrapartida, as crianças desenvolvem a linguagem, o aprendizado da leitura e adquirem capacidades sócio-emocionais para o resto de seus vidas".
O neuropediatra em Londrina, Efigenio Silvio de Castro Junior, explica que nossas habilidades se desenvolvem à medida que o cérebro vai se formando. "Aprender envolve atividades corticais. Envolve um processo de mielinização. Uma criança com quatro meses não está enxergando direito porque as vias óticas vão se formar ao longo da evolução, assim como a audição. Aprender, então, significa você ter uma integridade neuronal", ressalta.
Ele reconhece que pode haver questões intuitivas ou sensoriais que talvez a Medicina não consiga detectar e comenta que quando uma mãe canta para o bebê e sente que ele se acalma, ocorre pelo fato dela estar calma e tranquila naquele momento. "Nessa hora a mãe está tendo uma troca adequada com o bebê. Afetivamente, ela está em paz com ele e tudo que tem relação com o afeto é perfeito", salienta.

GANHO SAUDÁVEL
A pedagoga e psicóloga Patrícia Brinholli reforça que quando a mãe interage com o filho, independente da questão da aquisição do hábito de leitura, é uma atenção especial. "A partir do momento que ela tem esse gesto de ler, cantar ou conversar, é uma amostra que ela está bem com a gestação, que está curtindo esse momento. Para o bebê, essa troca é valiosa porque aos poucos ele vai se reconhecendo como um ser humano importante, que recebe carinho e atenção", completa.
Outra questão apontada por Patrícia é a criação do hábito de leitura da mãe. "Com essa prática de ler para o bebê, ela vai criando uma condição para si mesma e, consequentemente, há um ganho saudável para a criança. Seja através de uma conversa ou uma massagem na barriga, o fortalecimento de vínculo é o ponto principal", conclui.

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