Leitos em UTI não são suficientes
Dez hospitais de Curitiba foram consultados ontem e apenas um oferecia vagas - não para pacientes do SUS
Número de leitos
é o mesmo do ano
passado, apesar do
aumento da população
Guilherme Pupo
Marcelo AlmeidaEsperaNo Evangélico, assim como na maioria dos hospitais de Curitiba, doentes graves não encontram vagas em UTIsAs Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais de Curitiba estão superlotadas. A dificuldade para encontrar vagas atinge desde pacientes atendidos por planos de saúde ou pelo SUS como particulares.
Ontem, a reportagem da Folha ligou para dez hospitais da cidade, e só encontrou duas vagas na UTI do Hospital das Nações. Apesar disso, a funcionária responsável pelo atendimento disse que ‘‘não poderia assumir o internamento sem a garantia de que a pessoa vai pagar’’.
No Hospital Cajuru, a informação dada por um funcionário é de que havia cerca de 50 pacientes na fila de espera para internação. Os outros hospitais consultados pela reportagem foram Cruz Vermelha; Evangélico; Erasto Gaertner; Nossa Senhora das Graças; São Vicente; Pequeno Príncipe; Hospital de Clínicas; e Santa Cruz.
Hoje, o SUS tem apenas 195 leitos cadastrados nos hospitais de Curitiba e Região Metropolitana. O número é o mesmo desde o ano passado, apesar do crescimento da população. Como alguns hospitais ampliaram o número de leitos mas outros se descredenciaram do SUS (como é o caso do Hospital das Nações - que só atende pacientes particulares ou com convênios), não houve aumento nas vagas oferecidas.
Segundo a supervisora da central de leitos da Secretaria Municipal de Saúde, Liumar da Veiga, a maior dificuldade é a internação de bebês e crianças - há somente 32 leitos nas UTIs pediátricas e 35 nas unidades de neonatal. ‘‘Como na Região Metropolitana só há leitos de pediatria no Angelina Caron, a demanda dos outros municípios fica concentrada em Curitiba’’, explica a supervisora.
Ela afirma que a central ‘‘sempre trabalha com certa dificuldade para internar’’ e que, quando não há vagas, o paciente tem de ficar aguardando em um leito comum, com assistência hospitalar.
‘‘As equipes do Siate me consultam durante todo o dia e nunca tenho vaga’’, relata o diretor da UTI geral do Hospital Universitário Evangélico, Nelson Mozachi. Ontem, os 18 leitos da UTI estavam ocupados, e dois pacientes já internados no hospital aguardavam a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva.
‘‘Em muitos casos, há vagas mas faltam equipamentos. Temos de tirar o paciente que está um pouco melhor para internar o que está com caso mais grave’’, admite Nelson Mozachi. Segundo o diretor, metade dos pacientes é atendido pelo SUS e metade por convênios médicos.

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