Curitiba - A crise no atendimento médico-hospitalar de média e alta complexidade em Ponta Grossa pode se agravar com a decisão de um hospital do município o Pronto Socorro Cidade de descredenciar 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Estado da Saúde, no entanto, nega que haja crise e assegura que os pacientes não ficarão desassistidos.
No mês passado, duas pessoas que aguardavam vagas em UTIs, em Ponta Grossa e Castro, morreram antes de conseguir atendimento. Na ocasião, pelo menos, seis leitos de UTI no Hospital Bom Jesus estavam interditados por risco de infecção hospitalar. Segundo levantamento do promotor do Ministério Público (MP) de Ponta Grossa, Fuad Faraj, de setembro de 2004 a julho deste ano, 31 pessoas que deram entrada no pronto-socorro do Hospital Municipal morreram à espera de vaga em UTI.
De acordo com a chefe da Regional de Saúde de Ponta Grossa, Lenir Monastirsky, a falta de leitos de UTI não é uma situação corriqueira no município. O normal, segundo ela, é haver leitos ociosos. Dois grandes hospitais da cidade o Bom Jesus e a Santa Casa mantém 12 leitos de UTI adulto, cada, além de outros seis de UTI neonatal, também na Santa Casa. Está em estudo a implantação de outros 10 leitos de adulto em um dos dois hospitais.
O fechamento da UTI do Pronto Socorro Cidade não foi nenhuma surpresa para o governo, disse Lenir, pois a Vigilância Sanitária do município já havia identificado situações inadequadas para o funcionamento. ''A regional acolheu bem e apoiou a decisão da direção do hospital de fechar a UTI para que eles possam fazer as reformas necessárias'', acrescentou.
Ainda de acordo com Lenir, da maneira como está estruturada, a UTI do Pronto Socorro Cidade tem uma resolutividade muito baixa, isto é, não dispõe de equipamentos necessários para os atendimentos de média e alta complexidade. ''O Cidade estava servindo como intermediário. O paciente era internado lá até conseguir vaga em UTI em outro hospital'', esclareceu.
A Portaria nº 1.101/02, do Ministério da Saúde, instituiu que o número de leitos de UTI deve corresponder, no mínimo, a 4% do total de leitos gerais. Considerando que o Paraná dispõe 31.842 leitos 23.982 do SUS e 7.860 da iniciativa privada a proporção é de 3,87%, levando em conta apenas os leitos credenciados ao SUS (929) e de 4,3% considerando os 103 leitos particulares contratados em relação aos leitos gerais do SUS.
A reportagem não conseguiu contato com a direção do Pronto Socorro Cidade.

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