‘‘A única coisa que vemos aqui (no Japão) são pessoas desempregadas, passando por necessidades financeiras. Um conselho que daria para as pessoas novatas que pensam em vir para cá seria de pensar bem antes de deixar tudo no Brasil e arriscar a vida aqui no Japão’’. A mensagem, incluída ontem nas páginas da Folha do Paraná/Folha de Londrina na Internet (www.FolhaWeb.com.br), responde a uma pergunta formulada pelo Departamento de Informática do jornal aos usuários de computadores ligados à rede (leia no quadro abaixo as três primeiras respostas).
O autor da mensagem é o dekassegui Leandro Gondo, brasileiro que está trabalhando em Toyohashi, no Japão. ‘‘O único resultado que podemos ver hoje aqui são muitas pessoas tristes e infelizes com a vida que tem e muitos dariam tudo para que pudessem voltar ao Brasil’’, prossegue.
Além da Internet, dekasseguis que passam por dificuldades no Japão poderão em breve conversar com familiares brasileiros também em Maringá, no Noroeste do Estado, onde o projeto de videoconferência, paralisado nos últimos dias devido à privatização das telecomunicações no Brasil, deverá ser retomado.
A empresa KDD, do Japão, está interessada em dar continuidade ao projeto, que foi implantado ano passado a partir de uma iniciativa de descendentes de japoneses de Maringá.
De acordo com Sérgio Yoko, um dos idealizadores do projeto, a volta do projeto de videoconferência depende de uma posição da Embratel, que é responsável pela captação e transmissão das imagens via satélite. Ele acredita que a videoconferência volte a ser realizado até o final do ano.
Segundo Yoko, o interesse no projeto por parte da empresa japonesa é ajudar principalmente os dekasseguis que passam por dificuldades no Japão. Ele acredita que através dos diálogos e das imagens transmitidas, os dekasseguis desempregados no Japão terão oportunidade de pedir ajuda às famílias que estão no Brasil.
‘‘Muitas pessoas que estão em dificuldades no Japão não têm dinheiro para voltar ao Brasil e às vezes as famílias destas pessoas que moram aqui no Brasil nem sabem que elas passam por dificuldades’’, diz. Yoko acredita que a KDD não terá dificuldades de encontrar dekasseguis em situação difícil no Japão e que queiram se comunicar com as famílias que vivem no Brasil.
Desde que foi implantado, o videoconferência foi realizado quatro vezes em Londrina, três vezes em Maringá e uma vez em Curitiba. Na maioria das vezes, as videoconferências serviram para matar as saudades entre os familiares dos dekasseguis. Em alguns casos, conforme Yoko, os pais de dekasseguis viram pela primeira vez as imagens dos netos que nasceram no Japão e houve casos de dekasseguis que conheceram os filhos recém-nascidos no Brasil, também através das imagens transmitidas via satélite.



A FOLHA PERGUNTA

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