A Biblioteca Pública Municipal de Campo Mourão recebeu esta semana a devolução de um livro que estava emprestado há 16 anos. A obra infanto-juvenil ‘‘A Vaca Deslumbrada’’, de Edy Lima, estava emprestada desde o dia 4 de junho de 1981. A devolução, que deveria ter ocorrido 10 dias depois, só aconteceu anteontem. Ela foi feita pelo ‘‘ex-sócio’’ Idnei Hundsdorfer. Ele alegou que havia perdido o livro em meio a uma mudança.
Hundsdorfer, que, segundo a carteirinha entregue junto com o livro, era um sócio ativo da biblioteca no primeiro semestre de 81, disse que só reencontrou o livro na semana passada depois de fazer uma faxina em casa. ‘‘É a primeira vez que vejo um livro sendo devolvido após tanto tempo’’, diz a coordenadora da biblioteca, Elza de Moraes, que trabalha no local desde 1989, oito anos depois de ‘‘A Vaca Deslumbrada’’ ser emprestado.
De todo o quadro de funcionários do órgão, apenas uma servidora já trabalhava no local na época do empréstimo, mas nem lembrava mais do livro. Hundsdorfer também nunca mais havia se associado à biblioteca. ‘‘A atitude dele foi muito bonita’’, diz Elza. ‘‘Se todo mundo fizesse isso, nosso acervo iria crescer consideravelmente’’. Junto com o livro devolvido, o ex-sócio entregou mais oito livros como forma de doação.
A demora para a entrega foi tanta que a biblioteca sequer tentou cobrar a multa pelo atraso. Normalmente, cada dia de atraso equivale a uma multa de R$ 0,50. No caso de Hundsdorgfer, os cerca de 6 mil dias de inadimplência renderiam uma multa de aproximadamente R$ 3 mil. ‘‘A essa altura, o importante foi o ato da devolução’’, diz Elza. Segundo ela, raramente as pessoas em atraso com a biblioteca admitem que esqueceram de entregar o livro.
PerdãoO que acontece com mais frequência é o leitor em débito devolver o livro emprestado como se fosse uma doação. ‘‘Ele traz várias obras e coloca em meio delas alguma que tinha emprestado da biblioteca’’, explica. Mesmo assim, Elza nunca tinha visto um caso com mais de dois anos de atraso. A não-devolução de livros emprestados, porém, é prática comum nas bibliotecas públicas. A média de inadimplência é de 30% dos sócios cadastrados.
Em Campo Mourão, campanhas anuais de ‘‘perdão’’ vêm conseguindo reduzir esse índice para 13%. Isso representa cerca de 390 livros não devolvidos todos os anos. Durante a campanha de perdão, a biblioteca recebe as obras em atraso sem cobrar nenhuma multa. ‘‘Os resultados têm sido bons’’, frisa Elza. Além dos empréstimos não devolvidos, a biblioteca também sofre com a perda anual de 7% do acervo através de danos.

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