Cerca de 75% do leite cru vendido em Umuarama apresenta algum tipo de contaminação. O resultado dos exames realizados em 68 amostras de leite vendido diretamente pelos produtores aos consumidores estarreceu profissionais do setor de saúde. Os resultados dos exames foram divulgados ontem de manhã na Prefeitura, numa reunião com cerca de 30 produtores. Mais da metade do leite consumido em Umuarama não é pasteurizado. São cerca de cinco mil litros por dia vendidos de porta em porta pelos próprios produtores ou intermediários.
Os exames feitos pela Prefeitura e Universidade Paranaense (Unipar) apontaram que 75% das amostras apresentaram contaminação por coliformes fecais animais e humanos. A presença de fezes no leite é resultado da falta de higiene na ordenha e manipulacão do produto. Em outro teste, 33% das amostras apresentaram mastite, uma infecção mamária comum nas vacas e fácil de ser detectada. Basta tirar um pouco de leite num pano ou coadeira fina para ver as bolinhas de pus, características da mastite. Em 11% das amostras foi constatada contaminação por brucelose e em 40% havia a bactéria samonella, causadora de intoxicação alimentar grave.
Segundo o veterinário da Secretaria Municipal da Agricultura, Estefano Demczuck, 39% das amostras continham colostro, o primeiro leite produzido pelo animal depois do parto e impróprio para consumo humano.
Os resultados comprovaram não haver preocupação nenhuma dos produtores com a qualidade do leite vendido. Ordenham vacas doentes ou em tratamento, vacas que acabaram de parir, fazem a ordenha e o transporte sem as mínimas condições de higiene. O teor de água não foi pesquisado, mas é comum os produtores acrescentarem água ao leite para render mais.
O secretário da Saúde, Luiz Renato Azevedo, não tem estatísticas, mas acredita que o leite cru vendido nas ruas é responsável pela maioria dos casos de intoxicação e diarréia atendidos nos hospitais e postos de saúde. ‘‘A maioria das crianças atendidas nos consultórios de pediatria apresenta diarréia e geralmente é difícil descobrir a causa’’, observou.
Azevedo informou ainda que a brucelose, se contraída na infância, provoca esterilidade. ‘‘O consumo de leite nas condições em que se apresenta é um risco permanente de saúde’’, alertou.
Mais de 30 produtores e intermediários vendem leite cru nas ruas de Umuarama. Os ‘‘leiteiros’’ circulam com o produto em tambores sem refrigeração e reutilizam garrafas plásticas de refrigerantes para entregar aos fregueses.
A população de baixa renda é a principal consumidora do leite cru. Além de entregue em casa todo dia, é 10% a 15% mais barato que o pasteurizado e pode ser pago mensalmente.
Na reunião de ontem, o prefeito Fernando Scanavaca (PPB) disse que não vai proibir a venda de leite nas ruas, mas os produtores terão de melhorar a qualidade do produto imediatamente. Scanavaca sugeriu a montagem de uma usina comunitária de pasteurização administrada pela Associação dos Produtores de Leite de Umuarama.
A associação foi criada ano passado como primeiro passo para atacar o problema do consumo de leite cru na cidade.
De acordo com o prefeito, as secretarias municipais de Agricultura e Saúde vão começar de imediato um trabalho de orientação para ajudar os produtores a melhorar as condições de higiene e saúde dos animais. O município vai exigir que todos os produtores façam exames de brucelose e tuberculose nos animais.
Para fiscalizar o controle de doenças, Prefeitura e Unipar vão trabalhar em conjunto fazendo exames periódicos nos animais e em amostras do leite. Outra frente de ação, segundo o prefeito, será esclarecer a população sobre a péssima qualidade do leite cru e os riscos que isso representa para a saúde.

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