Leite em pó garante peso a crianças em C. Mourão
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
A Secretaria da Saúde de Campo Mourão está mantendo com recursos próprios, há dois anos, um programa de distribuição de leite em pó que começou a ser desenvolvido em 1994 com a ajuda do governo federal. O programa Leite é vida distribui mensalmente 2,3 mil quilos de leite em pó a 630 crianças e 89 gestantes com sinais de desnutrição. Se parássemos com a distribuição, todos os nossos esforços teriam sido em vão, diz a coordenadora do programa, a enfermeira Sueli Fazer de Araújo.
O gasto mensal da prefeitura com a distribuição do leite em pó e de latas de óleo de soja é de R$ 12 mil (o equivalente a um carro popular zero quilômetro). Crianças com até dois anos de idade recebem todos os meses quatro quilos de leite e uma lata de óleo. Outros dois quilos de leite e uma lata de óleo são dados para crianças com até cinco anos que tenham irmãos atendidos pelo programa.
A menina Ana Carolina, de um ano e meio, é apontada como prova da eficácia do programa. Ela foi inscrita no Leite é vida apenas em maio, com 10,3 quilos. Agora, menos de dois dois meses depois, ela está com 13 quilos. Já Aline Malaquias, de dois anos e três meses, começou a receber o leite desde fevereiro do ano passado. Na época, ela tinha oito quilos. Agora, está com 14. Mesmo depois de ter completado dois anos e ter reduzido o recebimento do leite pela metade, ela engordou 1,8 quilo.
A princípio, o acompanhamento deveria ser feito somente até quando a criança atingisse o peso considerado ideal, mas isso vem sendo realizado mesmo depois da meta ser alcançada. Dependendo da situação econômica da família, a criança recuperada do programa correria o risco de voltar a apresentar quadro de desnutrição, ressalta Sueli.
Para receber o leite em pó e a lata de óleo de soja, no entanto, não basta procurar o programa e se inscrever. É preciso que seja feito um encaminhamento pelo posto de saúde onde a criança mora. Depois disso, ainda são feitas consultas médicas e um exame de hemograma para comprovar a necessidade do benefício.
O programa sacrifica o nosso orçamento, mas vale a pena, diz a secretária de Saúde, Rosemeire do Carmo Martello. Segundo ela, além do ganho de peso das crianças, desde que o Leite é vida entrou em funcionamento, diminuíram os índices de internações de crianças em Campo Mourão.


