Mateus nasceu saudável e até os dez meses mamou no peito da mãe, a dona-de- casa Andréia Cristina dos Santos. A partir do momento em que passou a ser alimentado com leite de vaca, o bebê começou a ter problemas. Uma forte diarréia acontecia toda vez que a criança mamava. ‘‘Ele passou a não aceitar nenhum tipo de leite. Tentei todos tipos, em pó, de saquinho e todos provocavam a mesma reação’’.
  A mãe levou o filho ao médico e constatou que, por causa da rejeição ao leite de vaca, a única solução para o menino seria o leite de soja. O bebê se adaptou ao leite e as diarréias cessaram. O problema, então, passou a ser o preço do produto. Cada caixinha custa em média R$ 3 e a mãe alega que não tem condições de pagar pelo alimento do filho. A criança toma cerca de dois litros por dia. No final do mês, são R$ 180.
  Em Londrina, desde 2001, o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) mantém uma vaca mecânica que produz leite de soja, distribuído para várias entidades. A máquina, que pode produzir até 400 litros de leite por dia, trabalha com metade da capacidade, atendendo em média 1,8 mil crianças e adolescentes em vários projetos.
  A gerente administrativa do Provopar, Lenir Cândido de Assis, explica que a produção não é total porque o leite de soja sai gelado da máquina e não pode ser aquecido porque perde as propriedades nutritivas, azedando com mais facilidade que o leite de vaca. ‘‘Nossa produção apenas complementa a alimentação para crianças e adolescentes e é servida como suco, gelado.’’ Também por esse motivo, o Provopar não atende bebês. ‘‘A mãe não pode dar leite gelado ao filho’’, explicou.
  Em alguns casos, em que a mãe tem dificuldades financeiras, o programa faz a doação do leite em pó para ser manipulado em casa (misturado com água). ‘‘Estes pedidos são esporádicos e não podemos nos responsabilizar pela administração do produto’’, explica Lenir. O Provopar pretende ampliar a distribuição do leite, mas esse projeto ainda não foi definido.

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