Órgãos de fiscalização foram mobilizados pela Secretaria de Educação de Londrina para examinarem lotes de leite longa vida destinados à merenda escolar que estão sob suspeita de terem sido adulterados com água.
As suspeitas surgiram após o Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal, ligado ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ter constatado que uma amostra do leite longa vida Batavo integral tinha quantidade de água bem acima dos padrões. Segundo o laudo, o leite tinha uma quantidade de água 87% superior ao produto normal. O alimento tinha quase a metade do percentual normal de nutrientes e mais gordura.
Técnicos do Ministério da Agricultura e a da Vigilância Sanitária do Município recolheram ontem amostras dos lotes CP3 e CP4 (data de fabricação de 22/2/2002) do leite integral Batavo, que seriam consumidos pelos alunos da Escola Estadual Evaristo da Veiga (área central de Londrina), de onde surgiu a denúncia.
A diretora-geral do estabelecimento, Maria Sueli Marega, disse que tomou uma medida como cidadã ao enviar a amostra à UEL, no mês passado. Para ela, o aspecto do leite demonstrava a adulteração.
Segundo a coordenação do Programa de Alimentação Escolar, os dois lotes seriam completamente substituídos hoje, mas as crianças da rede pública de ensino não corriam o risco de ficar sem o produto. De acordo com a secretária municipal de Educação, Magda Tuma, como medida preventiva serão colhidas caixinhas de creches, escolas e instituições filantrópicas que recebem leite da secretaria. ‘‘A diretoria deveria ter enviado a amostra para o Programa de Alimentação Escolar, que está preparado para apurar denúncias como esta’’.
A diretora da escola também enviou amostra – analisada simultaneamente a outra – para o Laboratório de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos, ligado ao curso de pós-graduação em alimento, mesmo laboratório que será usado para analisar as novas amostras da Vigilância Municipal.
Neste teste, o leite Batavo não apresentou nenhuma irregularidade. A Batávia S/A, de Carambeí (PR), que produz a marca Batavo, também informou que foram feitos vários exames nos lotes suspeitos e nada foi constatado.
Se a irregularidade for constatada nos novos exames, a Vigilância Sanitária Estadual deve acionar a VS de Carambeí, onde é embalado o produto, para fazer uma inspeção nos equipamentos.
A Secretaria Municipal de Educação repassa semanalmente cerca de 15 mil litros de leite longa vida. Os lotes chegam uma ou duas vezes por mês às escolas, segundo a secretaria.
O deputado estadual Orlando Pessuti, presidente da CPI do leite, ainda não havia se informado sobre as suspeitas. ‘‘Mas qualquer resultado de exame que constate adulteração é uma coisa grave. Já tivemos várias denúncias na CPI, mas nunca conseguiu se provar nada’’, disse. O deputado lembrou que produtores e fabricantes trocam acusações quando casos como este vem à tona e que há casos de denúncia até de falsificação de leite em pó, apurada pela CPI da Assembléia Legislativa mineira.

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