Leite cru domina metade do mercado
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
Vânia Moreira 
Umuarama
Vânia MoreiraRiscoA entrega, de casa em casa, geralmente é demorada e o leite fica horas exposto ao solCerca de 50% do leite consumido em Umuarama é comprado diretamente dos produtores e vendido ao consumidor sem passar por nenhum controle de sanidade e qualidade. É um dos indíces mais altos do Paraná. O comércio clandestino do chamado leite cru ou in natura movimenta aproximadamente 300 mil litros por mês e fatura algo em torno de R$ 170 mil mensais. Os serviços de saúde pública condenam o leite cru devido ao risco de intoxicação e transmissão de doenças, mas nunca combateram esse comércio clandestino porque garante o sustento de muita gente.
A chefe do Serviço Municipal de Vigilância Sanitária, Dione Dal Bem Demczuk, costuma dizer que o leite vendido nas ruas é um verdadeiro coquetel de bactérias. Com poucas exceções, é leite tirado em currais sujos, transportado em latões sem refrigeração e vendido em garrafas de refrigerantes, sem as mínimas condições de higiene. A entrega, de casa em casa, é demorada e o leite fica horas exposto ao sol. Ainda há quem acrescente água ao leite para render mais.
Outro problema sério é o risco de doenças. Não há controle da saúde dos animais. Se as vacas estiverem doentes e o leite não tiver boa fervura, as pessoas podem contrair brucelose, tuberculose, febre aftosa e outras doenças. A secretaria de Saúde tem notificado 40 casos de tuberculose que podem ter origem no consumo de leite cru. No Parque Dom Pedro, uma criança de um ano contraiu febre aftosa. Mesmo assim, a populacão de baixa renda prefere o leite cru, porque é mais barato (em torno de R$ 0,50 centavos o litro), entregue em casa e com prazo de 30 dias para pagar.
Não podemos simplesmente proibir a venda de leite cru, porque muitos produtores vivem disso, argumenta a chefe do Serviço de Inspeção Municipal, Francismara Ortega. A intenção é organizar os produtores e incentivá-los a melhorar a produção e montar um sistema comunitário para pasteurizar o leite. Na realidade, apenas 40% dos produtores entregam o leite diretamente ao consumidor. A maior parte é vendida a intermediários que fazem a revenda. Mesmo assim, compensa porque os intermediários pagam em média R$ 0,30 centavos por litro, enquanto os laticínios pagam apenas R$ 0,18 centavos.
Os orgãos de fiscalização estão iniciando uma campanha de combate ao leite cru começando por estimular os leiteiros a melhorar a higiene. O trabalho ainda está em fase de conscientização, mas muitos leiteiros já procuram alternativas, ainda que reduzam a margem de lucro.
Uma delas é oferecer leite pasteurizado comprado diretamente dos laticínios aos consumidores com as mesmas vantagens do leite cru: entrega em casa e pagamento mensal. Outra é entregar a produção nos laticínios para ser pasteurizado, mediante pagamento de uma taxa percentual.


