Leishmaniose surpreende aposentado
Leishmaniose surpreende aposentado
Benê Bianchi
Josoé de CarvalhoGrande sustoAposentado José Gabriel Silva: Não sei como peguei essa doençaO aposentado José Gabriel da Silva, 59 anos, levou um grande susto quando, depois de dois ou três meses buscando respostas para explicar uma ferida que surgiu na sua perna, soube que se tratava de leishmaniose.
Assim como ele, muitos londrinenses não sabem que há focos do mosquito transmissor em Londrina e, especialmente, que casos da doença não são raros como parecem ser.
Segundo dados da Autarquia Municipal de Saúde, são feitos anualmente de 30 a 40 novos registros de leishmaniose no município.
A leishmaniose é trasmitida ao homem pelo mosquito denominado flebótomo - bastante parecido com o pernilongo -, que vive em regiões de mata. Valdecir Nunes, funcionário do setor de Entomologia da Fundação Nacional de Saúde (FNS), informa que o flebótomo procria em húmus. Os focos são comuns em qualquer capão de mata.
Em Londrina, já foram encontrados vários focos. Por exemplo, no Parque Arthur Thomas (zona sul) e na saída do Patrimônio Heimtal para o Distrito da Warta (zona norte). De acordo com Nunes, não há como controlar o mosquito.
Não podemos jogar inseticida na mata porque corremos o risco de agredir o meio ambiente, diz. A orientação é para que as pessoas que moram próximas a regiões com mata façam a limpeza rasteira para permitir a entrada de raios solares na mata - o flebótomo é bastante sensível ao raio solar. A instalação de telas nas portas e janelas também é recomendada, para impedir a entrada do mosquito em casa.
Outro conselho: que as pessoas evitem ficar perto das matas do anoitecer até o amanhecer, período de atividades do mosquito. Segundo Nunes, pescadores são vítimas constantes do flebótomo.
As explicações da FNS intrigam ainda mais Gabriel Nunes. Ele afirma que não esteve em regiões de mata e muito menos gosta de pescar. Não sei como peguei essa doença. Ele relata que em dezembro do ano passado esteve passeando pelo litoral de Santa Catarina e Paraná. Fora isso, constuma ir a Jataizinho, na casa de uma filha.
Como o período de incubação da doença é de 10 dias a três semanas, Gabriel da Silva descarta a hipótese de ter sido contaminado na viagem ao litoral. Ele conta que começou a se sentir mal há cerca de quatro meses. No começo suava muito e sentia que tinha um mau cheiro. Depois passei a ter dor de cabeça e ânsia de vômito.
O médico e professor da Universidade Estadual de Londrina Rubens Pontello, especialista em leishmaniose, diz que o tratamento para curar a doença é feito à base de injeções e pode durar de um a seis meses. No local em que o mosquito pica surge uma pequena ferida que vai aumentando, tem bordas elevadas e fundo granulado, descreve o médico. Ele salienta que, se não for tratada, a doença pode evoluir de uma lesão cutânea para cutânea-mucosa e mucosa. Regiões do corpo mais sensíveis à leishmaniose, como o nariz, podem ficar seriamente danificadas.





