Leishmaniose se alastra fora de época
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sexta-feira, 01 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
A 15ª Regional de Saúde de Maringá está investigando 37 casos suspeitos de leishmaniose em um período considerado atípico para o aparecimento da doença. A leishmaniose é transmitida pelo mosquito flebótomo e atinge, principalmente no verão, pescadores e moradores de regiões ribeirinhas. A região Noroeste tem a maior incidência da doença no Estado.
Segundo a médica Norico Miyagui Misuto, coordenadora do setor de epidemiologia da Regional de Saúde, os casos suspeitos foram notificados nas duas últimas semanas. A notificação em pleno inverno chamou a atenção dos técnicos da saúde. Norico informou que o resultado dos exames que permitem confirmar ou não a doença sai na próxima semana.
Municípios próximos do Rio Ivaí concentram o maior número de casos da leishmaniose. A 15ª Regional de Saúde registrou casos em Ivatuba, Doutor Camargo, Ourizona, São Jorge do Ivaí, Colorado e Lobato. A coordenadora de epidemiologia explicou que o desmatamento nas reservas residuais está levando o mosquito cujo habitat natural são as matas para as comunidades. Antes o mosquito picava as pessoas que invadiam as matas quer para caçar ou pescar e o desmatamento está mudando a situação, ressaltou Norico.
A picada do mosquito provoca uma lesão na pele. Em muitos casos, as pessoas se automedicam com pomadas e deixam de procurar ajuda médica. O tratamento da leishmaniose é feito somente com medicação injetável. O diagnóstico precoce evita o aumento da lesão e reduz o sofrimento do paciente. Em média, 100 casos da doença são notificados por ano na região de Maringá.
Técnicos da saúde estão analisando o comportamento da leishmaniose nos últimos sete anos. O levantamento completo sobre a doença no Noroeste será apresentado nos próximos dias 14 e 15 em Maringá durante o Seminário de Atualização da Leishmaniose, que vai reunir técnicos e médicos de todas as regionais de saúde do Paraná.
O objetivo é observar a situação atual da doença no Estado e reciclar conhecimentos sobre diagnóstico e exames laboratoriais. Pesquisas sobre a doença, realizadas por professores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), também serão apresentadas durante o seminário.


