Duas leis que foram polêmicas em Maringá durante o processo de votação na Câmara de Vereadores, não estão sendo cumpridas. As duas leis deveriam ser aplicadas pela Secretaria de Educação mas são ignoradas por total falta de recursos e de condições do município em cumpri-las. A primeira lei entrou em vigor em abril de 1994 e determina que as escolas municipais passem a oferecer aulas de xadrez aos estudantes, em período alternativo. A aula deve ser oferecida como atividade extracurricular. A segunda lei, que entrou em vigor em maio de 1995 obriga as escolas municipais de Maringá a oferecer aulas de espanhol.
A aula de xadrez chegou a ser introduzida em apenas duas escolas municipais: na Nadir Alegretti e na Lídia Ribeiro. Mas o cumprimento da legislação não durou mais do que um ano. ‘‘Só oferecemos aulas de xadrez em duas escolas e mesmo assim porque o município recebeu recursos específicos para atividade extracurricular’’, explica a secretária de Educação de Maringá, Mara Sperandio Cremm.
Segundo a secretária, a maior dificuldade para cumprir a legislação é a falta de recursos. Ela destacou que as duas leis foram criadas sem a participação da Secretaria de Educação. ‘‘As pessoas criam as leis sem saber se o município terá ou não condições de aplicá-las’’, reclamou. ‘‘Em muitos casos, as leis municipais atropelam a legislação estadual e federal e aí fica difícil cumpri-las’’.
Apesar das dificuldades, Mara afirmou que o ensino de xadrez nas escolas municipais não está totalmente ignorado e que a Secretaria estuda uma forma de retomá-lo a partir do ano que vem com a implantação do plano de cargos e salários. Já o ensino da língua espanhola é muito difícil de se tornar uma realidade. ‘‘Estamos totalmente envolvidos com a obrigatoriedade do ensino religioso que está previsto no Código de Lei de Diretrizes e Bases da Educação’’, explicou. O ensino religioso deverá ser incorporado à grade curricular do ensino básico até o ano 2000.
Duas alunas da Escola Municipal Lídia Ribeiro têm saudades das aulas de xadrez que tiveram em 1995. Letícia Cardoso Zaghi, 14 anos, e Flávia Cardoso Zaghi, 12, participaram das aulas de xadrez durante um ano, mas desistiram do jogo quando a escola suspendeu o curso.
As duas irmãs conheceram o xadrez na escola e frequentavam as três aulas por semana, ministradas pelo professor Oraci Alberto Pires do Prado. ‘‘A gente jogava às vezes debaixo das árvores ou nas salas de aulas que estavam desocupadas’’, lembra Flávia.
Elas participaram dos Jogos Estudantis do Paraná e afirmam que gostariam de voltar a participar das aulas de xadrez na escola. ‘‘Muitos alunos não gostam porque acham que é chato, mas eu gostei muito porque a gente aprende a pensar rápido e ajuda principalmente nas aulas de matemática’’, garantiu Letícia.Marcos NegriniFora do currículoAs irmãs Letícia e Flávia que aprenderam xadrez na escola municipal de Maringá: saudades da aulaLucinéia Parra

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