Leis de trânsito não garantem punição
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quarta-feira, 07 de junho de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Modificado há cerca de 10 anos, o Código Brasileiro de Trânsito prevê uma punição mais severa para os motoristas responsáveis por acidentes de trânsito, inclusive com prisão, mas a realidade é muito mais flexível quando chega a hora de aplicar a pena.
Recentemente, Londrina acompanhou o noticiário sobre a morte do casal Walquíria e Bruno Cordeiro, atingido por um carro que caiu de um viaduto. O acidente aconteceu no dia 22 de abril, às 23h45, quando os jovens passavam pelo cruzamento da Avenida Brasília e Rodovia Carlos João Strass. Eles foram atingidos pelo carro conduzido pelo radialista Danz Barreira, que perdeu o controle do veículo e atingiu uma moto em cima do pontilhão, antes de cair do viaduto sobre a moto onde estava o casal.
Os advogados contratados pela família do casal pretendem comprovar a tese de dolo eventual (quando há intenção). A advogada Marlene Sant'Ana, responsável pela parte criminal do caso, alega falhas no preenchimento do Boletim de Ocorrência. ''No BO não constavam o nome completo, o endereço e documento do envolvido, apenas das vítimas. Outro detalhe é que não foi feito o teste do bafômetro e o causador do acidente nem sequer enviou um representante para conversar com a família das vítimas.''
Em relação ao BO, o sargento Edivaldo Lopes, da Companhia de Trânsito (Ciatran), informa que nem sempre é possível prenchê-lo totalmente. ''A orientação é pegar todos os dados do condutor, das vítimas, mas em muitos casos as pessoas estão sem documentos ou feridas, sem condições de repassar informações.'' Ele explica que, em alguns casos graves, os policiais são impedidos pelos próprios socorristas de abordar as vítimas, tanto no momento do acidente, quanto no próprio hospital para onde são encaminhadas. ''A prioridade é socorrer a vítima. Procuramos complementar o boletim depois''
Barreira, que se recupera em casa de um ferimento no pé esquerdo, decorrente do acidente, foi indiciado no inquérito. Ele afirma que está atendendo todas as solicitações da Justiça. ''Sou tão vítima quanto o casal'', afirma o radialista, dizendo que ficou desacordado durante todo o tempo e só despertou no domingo, já no hospital. ''Só me recordo quando minha mulher gritou 'Pelo amor de Deus, cuidado com a moto', que estava muito próxima do meu retrovisor esquerdo.''
Barreira nega que estivesse embriagado ou em alta velocidade. ''Estava numa velocidade compatível com a avenida (Brasília) e somente carregava algumas cervejas dentro do porta-malas do carro, que seriam consumidas num churrasco no domingo. Eu não estava bêbado''.
O perito Luís Noboru, do Instituto de Criminalística, que prepara o laudo sobre o caso, afirma que o carro conduzido por Barreira teve o cubo de eixo quebrado, o que poderia ter causado o descontrole do veículo. ''Ficou constatada a falha mecânica antes do carro desabar do viaduto e atingir o casal''. O laudo será encaminhado à Delegacia de Trânsito, que concluirá o inquérito policial. De lá, vai para o Ministério Público, que analisa e pode oferecer denúncia. Se houver denúncia, o processo vai para o juiz, que pode condenar ou não o réu.


