Maringá – Defensor do ditado popular ‘‘Se conselho fosse bom não se dava, se vendia’’, Marcelo era daqueles que não dispensava a mínima atenção quando alguém lhe alertava sobre os riscos da obesidade. Se achava ainda jovem para se preocupar com a saúde, afinal tem apenas 29 anos. Carne vermelha e de preferência com aquela gordurinha em volta era o prato predileto dele, sem contar a companheira cervejinha que todos os dias, no final do expediente de trabalho, era ‘‘saboreada’’ com gosto. De repente tudo mudou. Ele, que se achava absolutamente saudável e portanto fora do grupo de risco dos hipertensos, dos diabéticos e dos cardíacos, passou por um susto daqueles. Numa manhã de uma segunda-feira foi obrigado a abandonar o emprego e sem aguentar a forte dor no peito, procurou o hospital mais próximo.
A cada pergunta do médico, Marcelo sempre dizia que as dores eram no peito, associada à dificuldade para respirar. Ao medir a pressão mais uma surpresa: estava alta. Exames foram feitos. Na verdade um mini chek-up. O exame eletrocardiograma teve um resultado normal, mas Marcelo também teve que colher sangue para uma série de exames que ficariam prontos no dia seguinte. A ansiedade de Marcelo aumentou minutos antes de buscar os exames no laboratório. Mal pegou o envelope e já foi abrindo para ler os resultados.
- O que preocupa um pouco é o ácido úrico que parece alterado!, comentou.
Como que se quisesse descobrir o que implicaria aquela alteração de ácido úrico, e já prevendo o pior em termos de dieta, Marcelo virou para a esposa e previu: ‘‘Bem, com a cerveja vou poder continuar porque o ácido úrico deve piorar se a gente beber destilado.’’
A mãe de Marcelo também opinou: ‘‘Você vai ter que eliminar da sua alimentação o limão, abacaxi, laranja e até mesmo a carne de frango.’’
Final de tarde de terça-feira compareceram no consultório do médico, Marcelo e a esposa. Exames em mãos, o doutor avaliou tudo e conclui que o mais grave mesmo é com o ácido úrico. Depois de algumas explicações sobre o problema, o médico repassou uma dieta especial.
- ‘‘Com esse ácido úrico alterado você deve eliminar as bebidas fermentadas, ou seja, a cerveja e o vinho’’, disse o médico. ‘‘Se não conseguir ficar sem a bebida, prefira os destilados, mas em dose reduzida’’, acrescentou. Da alimentação, o médico disse que era necessário eliminar ou pelo menos diminuir a carne vermelha e os alimentos com sementes verdes. Para substituir a carne vermelha, o médico recomendou carnes brancas. E sobre as frutas cítricas, ele disse que não tinha qualquer relação com o ácido úrico.
Apesar da alteração do ácido úrico e dos novos cuidados com a saúde, Marcelo e a esposa não puderam conter umas boas gargalhadas após a consulta. Afinal tanto ele como a mãe estão longe de saber qualquer coisa sobre ácido úrico.
- ‘‘Como é duro esta vida de leigo!’’, concluiu o casal.

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