Você está andando pelas ruas e vê uma pessoa cair. Ela pode ser vítima de parada cardiorrespiratória e a vida dela pode estar em suas mãos. Nas suas ou de qualquer um que esteja passando pelo local. Isso porque o socorro imediato é a principal forma de evitar a morte do paciente. Para tanto é necessário aplicar técnicas simples de ressuscitação e acionar suporte médico o mais rápido possível.
Essas informações foram transmitidas aos participantes do curso para leigos sobre Técnicas de Atendimento a Vítimas de Doenças do Coração, dentro da programação da 1 Jornada de Arteriosclerose Coronariana de Londrina, promovida pela Associação Médica de Londrina, no Boulevard Higienópolis Hotel.
O evento atraiu gente como a pensionista Manuela Vieira Valentin, 77 anos, e a filha dela Maria Lúcia, 51, moradoras do Jardim Europa (Zona Sul). O histórico da família foi a principal motivação para que elas buscassem mais informações sobre as técnicas para evitar a morte por doenças do coração. O marido de Manuela morreu aos 47 anos, em 1978, ao sofrer um infarto. ''Acho que poderia ter salvo o meu marido se fosse hoje. Naquele tempo, a gente não tinha instrução nenhuma'', lamentou Manuela.
Maria Lúcia comentou que já tinha noções sobre o socorro, mas só com a palestra obteve informações mais precisas que podem ajudá-la a salvar vidas. ''Eu não sabia que a gente tem de levantar a cabeça do paciente que teve parada cardíaca e nem quantas vezes a respiração e a massagem têm de ser feitas'', declarou.
Essas foram as principais dicas passadas pelos palestrantes Willyan Nazima e Lucas Meda Caetano Paraiso, que formam a chamada Corrente de Sobrevivência. O importante é ter o acesso precoce, verificar se o paciente está desacordado, acionar o socorro médico, inclinar a cabeça para evitar obstrução à respiração. Na sequência, fazer respiração boca a boca e massagem cardíaca.
Os médicos ensinaram também a usar o desfibrilador, aparelho de choque usado para reanimar o paciente, existente em alguns locais de grande circulação. ''Após o choque aumenta a chance de o coração voltar a bater de forma organizada'', explica Nazima.
O suporte básico, ressaltam os médicos, pode ser dado por qualquer pessoa e pode significar a diferença entre a vida e a morte. Se o atendimento for prestado no primeiro minuto, a chance de o coração voltar a bater é de quase 90%. Após dez minutos, o índice cai para 10%. Por isso, Nazima ressalta a importância do treinamento de leigos para o primeiro atendimento às vítimas de parada cardiorrespiratória.
Os palestrantes também apresentaram números preocupantes. De acordo com Nazima, as estatísticas mostram que, no Brasil, 273 mil pessoas morrem por ano de doenças cardiovasculares, o que representa 748 óbitos por dia ou um a cada dois minutos.
Os números são resultado de uma série de fatores de risco, como idade, histórico familiar, sedentarismo, estresse, obesidade, tabagismo, pressão alta e colesterol. A consequência mais grave é o infarto agudo do miocárdio, que é a obstrução total da artéria coronariana, o que leva à necrose de células do coração. A isquemia é a obstrução parcial e é reversível.
Os palestrantes também explicaram que a angina é uma dor torácica associada a sintomas como falta de ar e disparos do coração. Outros sintomas, como desmaio, dor no estômago ou no braço esquerdo podem indicar problemas cardiovasculares. Os visitantes também receberam dicas de como reconhecer se a pessoa está tendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC): boca entortando, dificuldade para manter ambos os braços estendidos e fala enrolada.

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