Campo Mourão A preocupação com a segurança da população, e também com a saúde dos jovens, tem feito com que algumas cidades do Paraná tomem medidas mais drásticas. Em Campo Mourão (Centro-Oeste), uma lei que vigora desde abril proíbe os estabelecimentos comerciais de venderem bebidas alcóolicas depois da meia-noite. A medida, segundo a polícia, vem facilitando o trabalho e reduzindo o índice de criminalidade.
De acordo com a lei, nos bairros, os estabelecimentos têm que ser fechados e no Centro podem continuar abertos, mas sem vender as bebidas. O resultado, segundo a Polícia Militar (PM), é positivo. O sargento Eugênio Pinheiro de Souza, do 11º Comando do Batalhão de Campo Mourão, afirmou que o índice de criminalidade, de uma forma geral, foi reduzido, em relação ao ano passado. ''Podemos afirmar que os crimes por embriaguez, que incluem desde discussões, brigas, pequenas agressões, diminuíram entre 40% e 50%''.
Por causa do horário de verão e da proximidade do período das férias, quando o movimento na cidade aumenta, a prefeitura abriu uma exceção e até o mês de fevereiro os comerciantes podem estender o horário até a 1 hora da manhã.
''É uma forma que encontramos para colaborar com os comerciantes num momento em que o movimento nesses bares é maior'', explicou o ouvidor do Município e Secretário de Fiscalização, Deonízio Letenski.
A decisão de limitar a venda de bebidas, segundo Letenski, foi tomada por causa do alto índice de criminalidade e até de pequenos crimes que ocorriam na cidade. ''A população cobrava uma atitude da prefeitura e a polícia sozinha não tinha mecanismos para inibir os casos'', justificou.
O trabalho de fiscalização é desenvolvido por dois funcionários da prefeitura, em conjunto com a PM, que percorrem os bares durante a semana, intensificando o serviço na sexta-feira, sábado e domingo.
Até agora, segundo o secretário, apenas três estabelecimentos foram flagrados descumprindo a Lei. Apenas um caso teve reincidência. A multa no caso da primeira autuação é de 260 UFCM (Unidade Fiscal de Campo Mourão) cerca de R$ 450. Em caso de reincidência, é acrescida uma multa de 25% e o embargo do estabelecimento, no caso de uma terceira autuação. ''De maneira geral, tivemos uma aceitação muito boa da lei. Acreditamos que 99% dos comerciantes aprovam a decisão'', afirmou.
O trabalho em Campo Mourão deve ser ampliado com ajuda do Conselho Tutelar e da Vara da Infância e Juventude. ''Vamos melhorar, principalmente o trabalho de abordagem aos jovens e fazer a conscientização sobre os riscos de ingerir bebida alcóolica.'' Além do trabalho com os fiscais, a PM realiza rondas preventivas para combater o problema em toda a cidade.
Para o comerciante Raimundo Machado, que possui uma choperia no Calçadão da cidade há 14 anos, a lei veio para ajudar. ''Eu acho que é um horário mais do que suficiente para vender as bebidas. Se alguém quer beber, se divertir, não precisa mais do que isso'', afirmou. Ele comenta que próximo ao limite de horário já avisa os clientes de que a venda de bebida alcóolica vai ser interrompida. ''Ninguém nunca reclamou, não tive problema nenhum'', garantiu.
A reação de surpresa só acontece com quem vem de fora e não tem conhecimento da lei. O comerciante também comenta que a medida não prejudicou o faturamento do bar. ''Consigo trabalhar da mesma forma até com mais segurança''.

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