Lei seca reduz acidentes de trânsito
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Luciano Nascimento<br>Agência Brasil 
A aplicação da Lei Seca (Lei 11.705/2008) tem ajudado a diminuir o número de acidentes no trânsito. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram ligeira redução na quantidade de ocorrências registradas por influência do álcool, após a lei ter estabelecido tolerância zero e aumentado o valor da multa para quem for flagrado embriagado ao volante. Em 2012, foram registrados 7.594 acidentes; no ano seguinte, 7.526; e, em 2014, 7.391.
Dados do Ministério da Saúde, divulgados em dezembro do ano passado, também mostram redução no número de mortes em acidentes de trânsito. Em 2013, foram registradas 42.266 mortes e, em 2014, 40.294 uma diminuição de 5%.
Apesar da queda na quantidade de acidentes, o país está muito distante da média mundial de 8,3 mortes por grupo de 100 mil habitantes. Atualmente, o Brasil atingiu a taxa de 19,9 mortos por grupo de 100 mil habitantes - o menor índice desde 2010, mas ainda distante da meta do Plano Nacional de Redução de Acidentes, de 2011, que prevê a diminuição em pelo menos 50% no número de mortes no trânsito até 2020.
"O Brasil tem feito muito pouco ou quase nada. Não existe uma estratégia com vista a atingir essa meta. Existem ações mais ou menos isoladas e que estão focadas em tornar a legislação mais rigorosa em alguns aspectos: excesso de velocidade e consumo de álcool. Isso tem sido objeto de algum rigor no Código de Trânsito e ações de fiscalização. Mais do que isso, a gente não vê", critica o professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em trânsito, Paulo Cesar Marques da Silva.
Para ele, ações de fiscalização, intensificadas durante períodos festivos como o carnaval, e campanhas educativas são mecanismos importantes, mas o país precisa avançar em ações integradas e em estratégias que diminuam a dependência do carro. Ele avalia que o Poder Público deve liderar um debate sobre mobilidade urbana e investir no transporte público para evitar a dobradinha álcool e direção. "Essa ação de proporcionar a mobilidade sem a necessidade de usar o automóvel facilita porque as pessoas podem se divertir sem ter a necessidade de usar o álcool", afirmou.
Segundo o professor, não se trata de demonizar o carro particular, mas de promover estímulo ao carro, ao transporte público e à segurança no trânsito. "Ninguém compra o carro para ficar parado. Mas existe a possibilidade de as pessoas comprarem o carro para usar no final de semana, de não precisarem depender do carro o tempo todo", defende.
MAIS RIGOR
Desde 2012 algumas alterações na lei aumentaram o rigor das punições e proporcionaram maior eficácia à fiscalização, prevendo novas formas de produção de provas, como fotos, vídeos e testemunhas, além do aumento no valor da multa que passou para R$ 1.915,30 - em caso de flagrante de embriaguez.
EFEITOS DO ÁLCOOL
A psiquiatra e pesquisadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Carolina Hanna Chaim, alerta que pessoas sob o efeito de álcool apresentam dificuldades de percepção, coordenação motora e concentração, o que reduz drasticamente a capacidade de dirigir. Carolina observa ainda que o uso de álcool geralmente é associado a outras condutas perigosas ao volante como ultrapassar o limite de velocidade da via, não utilizar o cinto de segurança, dirigir cansado, sob o efeito substâncias psicoativas e, inclusive, o uso de celular. "A Lei Seca foi uma iniciativa positiva, pois ajuda a conscientizar sobre a gravidade e até a coibir as pessoas que não teriam essa conscientização a partir de iniciativa própria. Mas a lei, sozinha, não muda [a forma de agir das pessoas]", afirma. Para aumentar o nível de conscientização da população, a especialista aposta em ações focadas nos futuros condutores. "Precisamos construir uma nova geração de motoristas mais conscientes."


