Lei Seca não muda hábitos de motoristas
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Há um ano, quando a Lei Seca foi editada, o taxista Marcos Moser ficou animado. ''O movimento de pessoas que saíam dos bares e pegavam um táxi para casa aumentou bastante'', conta. Há nove anos Moser trabalha no ponto da praça do Batel - região de bares e casas noturnas da cidade - durante as madrugadas. O ''boom'' no movimento, no entanto, durou pouco. ''Hoje menos de 5% do pessoal vem nos procurar'', diz.
Enquanto espera um cliente, Moser observa a movimentação de quem chega e sai dos bares e restaurantes da região. ''O pessoal passa acelerando, com o copo de bebida na mão. A gente tem que tomar cuidado com eles porque já aconteceu batida aqui'', conta, mostrando o poste onde um veículo conduzido por um motorista supostamente alcoolizado teria colidido.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em Curitiba, as estatísticas de atendimento a vítimas de acidentes de trânsito pouco mudaram com a implantação da Lei Seca. Na capital, o número de internações causadas pela violência no trânsito caiu 1,27% no segundo semestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. Já o número de mortes registradas na cidade subiu 2,4% nos seis últimos meses de 2008 em relação aos mesmos meses de 2007.
Segundo a Polícia Militar, nos dez primeiros meses depois da implantação da Lei Seca, o número de motoristas com sinais de embriaguez envolvidos em acidentes diminuiu 19,42%. O número de acidentes também recuou 17,69%. A redução foi maior entre os acidentes sem vítimas: 27,15%. Mas o número de óbitos causados por acidentes de trânsito cresceu 8,33%.
Para o taxista Péricles Brito, a razão da pouca conscientização das pessoas em relação à nova lei é clara: ''Não existe policiamento. A gente passa a madrugada aqui vendo o pessoal passar em alta velocidade e não tem nenhuma viatura para abordar essas pessoas''.
Segundo o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, só na capital é realizada uma média de 44 blitzes por mês. Um total de 264 desde o início de 2009. Quando acontece um acidente ou os policiais abordam alguém com sinais claros de embriaguez, uma equipe equipada com bafômetros é deslocada para realizar o teste. Ao todo, dez bafômetros estão em funcionamento em Curitiba.
Apesar da fiscalização, ainda é fácil encontrar nas lojas de conveniência dos postos de combustível da cidade motoristas consumindo bebidas alcóolicas sem nenhum constrangimento.
Em um posto da Rua Mateus Leme, o caixa da loja de conveniência informa que é proibido beber no pátio do posto. ''Os seguranças não deixam abrir aqui. Se quiser beber, tem que ir para outro lugar porque sempre tem fiscalização'', informa Clemilton de Ramos. No lado de fora da loja, no entanto, a reportagem presenciou diversas pessoas bebendo cerveja sem ser incomodadas.


