Lei regulamenta tratamento de esgoto
Emerson Cervi
De Curitiba
O depósito de lodo de esgoto da Estação de Tratamento Belém, maior de Curitiba, pode ser desativado em dois anos. Está tramitando um projeto de lei na Câmara Municipal que proíbe a estocagem e tratamento do lodo às margens de rios e mananciais, áreas de banhados, cavas de areia e aterros sanitários da cidade. O vereador Borges dos Reis (PSDB), autor do projeto, resolveu apresentar a proposta depois que professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) alertaram sobre os riscos dos rejeitos serem levados pelos rios em épocas de cheias.
A Estação de Tratamento Belém produz a maior quantidade de lodo de esgoto em Curitiba. Ela recebe dejetos do sistema de coleta de esgoto de 350 mil habitantes e produz 70 toneladas de lodo a 15% de umidade por dia. A estação foi inaugurada em 1980 e como ainda não existe uma forma de reutilização do material sem riscos ao meio ambiente, todo o lodo fica armazenado em diques na margem do rio. O lodo é um subproduto do processo de tratamento de esgoto domiciliar, produzido em maior quantidade pelo sistema aeróbio.
Existem outras 60 estações de tratamento de esgoto em Curitiba. Como em todas elas o tratamento do esgoto é anaeróbio, a produção de lodo é menor. Todas elas juntas produzem cerca de 20 toneladas de dejetos por dia. Técnicos da Sanepar não sabem estimar o total de rejeitos acumulados em quase 20 anos de tratamento da Estação Belém.
O projeto de lei prevê um prazo para a Sanepar se adaptar às novas exigências. Os padrões do sistema de depósito, tratamento e transporte do lodo deverão ser adotados até 30 de julho de 2000, caso a lei seja aprovada. Novas estações de tratamento deverão ser construídas até 30 de julho de 2001 fora das áreas vetadas pela lei. Precisamos regulamentar o tratamento e destinação do lodo de esgoto em Curitiba para evitar que o material contamine o meio ambiente e até mesmo a água consumida pela população, afirmou o vereador.
Borges dos Reis contou com assessoria de professores que estudam formas de tratamento e destinação final do lodo de esgoto. O texto da proposta e os parâmetros estabelecidos na legislação são baseados em uma lei federal dos Estados Unidos, aprovada em 1993, que trata especificamente desse assunto. O projeto de lei que trata do gerenciamento de lodo de esgoto em Curitiba está sendo analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Borges dos Reis acredita que ele possa ser votado ainda este ano.Projeto que tramita na Câmara Municipal proíbe a estocagem e tratamento de lodo às margens de rios e áreas de mananciais
Mauro FrassonNa miraSe for aprovado o projeto de lei, a Estação de Tratamento Belém, que produz a maior quantidade de lodo de esgoto na cidade, deve ser desativada





