Edson MazzettoMedo do desempregoO presidente do Sindicato dos Frentistas, Antonio Vieira Martins, fazendo panfletagem em um postoA instalação de postos de combustíveis pelo sistema de auto-atendimento (self-service) está provocando contestação por parte do Sindicato dos Frentistas de Cascavel. Hoje começa a ser discutido na Câmara de Vereadores o projeto que proíbe a instalação de postos deste tipo e a operação dos já existentes. As alegações são de que eles colocam em risco a saúde e a segurança dos clientes e geram desemprego.
Cascavel tem dois postos de auto-atendimento. As empresas proprietárias consideram a contestação injustificável porque eles seriam sinônimo de ‘‘modernidade, qualidade e racionalidade’’, segundo um gerente.
No Paraná, os primeiros postos foram instalados em Curitiba, chegando depois ao interior. A companhia Esso, que lidera as redes, emprega tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos. Os clientes abastecem os próprios carros, calibram pneus e até lavam os pára-brisas apenas com orientação de um monitor. O posto tem apenas outro funcionário que faz a troca de óleo.
O controle para pagamento do combustível é por sistema interligado entre bomba e caixa e os postos oferecem descontos como atrativo complementar. O Sindicato dos Frentistas de Cascavel tem feito panfletagem na maioria dos 47 postos da cidade, que empregam cerca de 350 pessoas. Os panfletos alertam para ‘‘riscos à população’’ e dizem que ‘‘posto self-service é bomba’’.
Os riscos estariam na possibilidade de explosão do combustível e exposição dos clientes a doenças de pele e câncer (contato com o líquido), ou conjuntivite (vapores). O presidente do sindicato, Antônio Vieira Martins, diz que a questão do emprego é a que mais preocupa. Martins relata que um posto tradicional de porte médio necessita pelo menos de 15 frentistas para operar diuturnamente. ‘‘Com o auto-atendimento, são apenas duas ou três pessoas’’.
O projeto que começa a ser votado hoje é do vereador Aderbal Mello (PT) e impede o funcionamento dos atuais postos sef-service e abertura de novos. Aderbal argumenta que é competência municipal autorizar o funcionamento dos postos e salienta o ‘‘risco à saúde pública e o desemprego’’. Em Curitiba, a Câmara votou lei limitando o auto-atendimento a um terço dos postos.
O gerente de um dos postos de auto-atendimento de Cascavel, Anselmo Teixeira Lima, garante que os clientes não são submetidos a riscos, porque os equipamentos e a tecnologia são importados, e aprovados já há décadas. Alguns clientes, encontrados no posto ontem, disseram estar satisfeitos com o auto-atendimento. ‘‘Não tem sentido alguém questionar’’, disse um deles.

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