Lei quer limitar posto self-service
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segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoMedo do desempregoO presidente do Sindicato dos Frentistas, Antonio Vieira Martins, fazendo panfletagem em um postoA instalação de postos de combustíveis pelo sistema de auto-atendimento (self-service) está provocando contestação por parte do Sindicato dos Frentistas de Cascavel. Hoje começa a ser discutido na Câmara de Vereadores o projeto que proíbe a instalação de postos deste tipo e a operação dos já existentes. As alegações são de que eles colocam em risco a saúde e a segurança dos clientes e geram desemprego.
Cascavel tem dois postos de auto-atendimento. As empresas proprietárias consideram a contestação injustificável porque eles seriam sinônimo de modernidade, qualidade e racionalidade, segundo um gerente.
No Paraná, os primeiros postos foram instalados em Curitiba, chegando depois ao interior. A companhia Esso, que lidera as redes, emprega tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos. Os clientes abastecem os próprios carros, calibram pneus e até lavam os pára-brisas apenas com orientação de um monitor. O posto tem apenas outro funcionário que faz a troca de óleo.
O controle para pagamento do combustível é por sistema interligado entre bomba e caixa e os postos oferecem descontos como atrativo complementar. O Sindicato dos Frentistas de Cascavel tem feito panfletagem na maioria dos 47 postos da cidade, que empregam cerca de 350 pessoas. Os panfletos alertam para riscos à população e dizem que posto self-service é bomba.
Os riscos estariam na possibilidade de explosão do combustível e exposição dos clientes a doenças de pele e câncer (contato com o líquido), ou conjuntivite (vapores). O presidente do sindicato, Antônio Vieira Martins, diz que a questão do emprego é a que mais preocupa. Martins relata que um posto tradicional de porte médio necessita pelo menos de 15 frentistas para operar diuturnamente. Com o auto-atendimento, são apenas duas ou três pessoas.
O projeto que começa a ser votado hoje é do vereador Aderbal Mello (PT) e impede o funcionamento dos atuais postos sef-service e abertura de novos. Aderbal argumenta que é competência municipal autorizar o funcionamento dos postos e salienta o risco à saúde pública e o desemprego. Em Curitiba, a Câmara votou lei limitando o auto-atendimento a um terço dos postos.
O gerente de um dos postos de auto-atendimento de Cascavel, Anselmo Teixeira Lima, garante que os clientes não são submetidos a riscos, porque os equipamentos e a tecnologia são importados, e aprovados já há décadas. Alguns clientes, encontrados no posto ontem, disseram estar satisfeitos com o auto-atendimento. Não tem sentido alguém questionar, disse um deles.


