Lei que aprova cemitérios desagrada moradores
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Telma Elorza De Londrina 
A aprovação, anteontem, do projeto de lei que regulamenta a implantação de cemitérios na cidade pela Câmara de Vereadores de Londrina não foi bem recebida por moradores da zona sul da cidade, onde existe a intenção da exploração do serviço. Até o autor do projeto, o vereador Tercílio Turini (PSDB), se declarou aborrecido com as 13 emendas incluídas na lei que a mutilaram. Ficou claro que houve pressão por parte das empresas interessadas no assunto. O pessoal estava articulado para fazer passar a lei do jeito que era o decreto do prefeito, disse.
Segundo Turini, o objetivo era criar uma legislação criteriosa para suprir uma falha do Plano Diretor, que no capítulo de uso de solo não contempla os cemitérios. Por isso, fizemos audiências públicas, consultamos o Conselho de Planejamento Urbano e diversos órgãos para que fosse a mais completa possível, explicou. Para ele, as modificações contemplaram apenas a reserva de mercado, o que não previa o projeto original.
Para o empresário Ricardo Taufik Tauil, 45 anos, um dos coordenadores do movimento contrário à criação de cemitérios na zona sul, a aprovação foi uma desconsideração para com a população. Os vereadores aprovaram uma lei que ficou pior do que era o decreto. As questões ambientais e a vontade do povo foram totalmente ignoradas, disse.
Segundo o diretor regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina, Andrew Pinheiro Neto, embora a Câmara tenha derrubado a necessidade da realização do Estudo do Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) na lei, empresas interessadas em instalar cemitérios na cidade vão ter que apresentar ao órgão um plano de controle ambiental que satisfaça a legislação. Sem isso, não haverá autorização para funcionar, garantiu.
Para Tercílio Turini, a única solução imediata é que o prefeito Jorge Scaff (PSB) vete o projeto. Muito difícil que isso aconteça, disse. Porém, para ele, a batalha ainda não terminou. Nada impede que voltemos, na próxima legislatura, a mexer nessa lei.


