Foi aprovado na sexta-feira, por unanimidade, o projeto de lei 330/2000, de autoria do vereador Flávio Vedoato (PL), que proíbe a tercerização dos serviços de coleta de lixo, remoção de resíduos sólidos e varrição de vias e logradouros públicos do município de Londrina. Caso o projeto seja sancionado pelo atual prefeito Jorge Scaff (PSB), que teria até 15 dias úteis – se não fosse final de mandato – para dar o seu parecer, o serviço de coleta seletiva, a partir de 10 de julho de 2001, deixa de ser operado pela empresa Vega-Ambiental e nenhuma outra poderia assumí-lo.
‘Essa lei é temerária. Na minha opinião, a questão do lixo tem que ser tratada a partir de um grande debate com os profissionais, professores e pessoas da comunidade. Não acho que essa lei deva ser sancionada antes dessa discussão’, afirmou Wilson Sella, que assume a presidência da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização de Londrina (CMTU) no próximo dia 1. Opinião é reforçada pelo futuro prefeito, Nedson Micheleti (PT). ‘‘É prioridade do meu governo viabilizar esse debate integrado com vários setores da cidade, que deve acontecer ainda em janeiro’’, disse. Segundo ele, é preciso verificar a qualidade dos serviços prestados. ‘‘Se o serviço deva ser municipalizado ou não, é uma discussão para um segundo momento’’, explicou.
O auditor interno do Município, Sadi Chaiben, acredita que seria melhor se a Prefeitura tivesse condições financeiras de municipalizar esses serviços. ‘‘Poderíamos adquirir veículos utilizados no trabalho da coleta de lixo através do sistema de leasing’’, disse. Porém, ele admitiu que seria preciso ‘‘ter muito cuidado’’ para que a municipalização não se transforme em um cabide de emprego. ‘‘Seria preciso selecionar e controlar as pessoas que trabalhariam na administração e funcionamento do serviço’’.
Para o geógrafo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vladimir Cesar Fuscaldo, os projetos de lei deveriam ser mais criteriosos. ‘‘Desconheço cidades do porte de Londrina que tenham municipalizado o serviço da coleta de lixo. E, no caso da nossa cidade, acho que há outras prioridades, como educação e sa© úde, que o município precisa assumir’’, afirmou.
Para ele, a questão do lixo é complexa, envolvendo vários setores. ‘‘Temos que ser criteriosos na elaboração das leis, que devem ter um embasamento legal e técnico para que não percam a sua efetividade’’, destacou. Ele está finalizando dissertação de mestrado, na Universidade de São Paulo (USP), sobre o assunto.
Londrina produz em média 1.060 toneladas/dia de lixo sólido, dividido em 400 toneladas/dia de lixo orgânico domiciliar, 600 toneladas/dia de entulhos de construção civil, 40 toneladas/dia de resíduos de poda de árvores e 20 toneladas/dia de resíduo industrial. Além de 148 mil litros/dia de resíduo orgânico de fossas e de gorduras.
A Folha procurou a Vega Ambiental e o prefeito Jorge Scaff, mas nenhum retornou às ligações.

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