Quando o autônomo Samuel Hernandes da Silva, 31 anos, resolveu atender um pedido do filho e comprar algumas galinhas para colocar num canil improvisado como galinheiro em seu quintal, não imaginava que estava ‘‘arrumando uma dor de cabeça’’. Na semana passada, ele foi visitado por uma equipe da Vigilância Sanitária do município que, inicialmente, deu um prazo de dez dias para que ele retirasse todas as aves que mantinha num terreno na Vila Iara, na área central de Londrina. Segundo o criador caseiro, a Vigilância apontou que houve denúncias de vizinhos e que não é permitida a criação de aves em áreas residenciais urbanas.
Porém, a esperteza de raciocínio de Samuel deixou os fiscais da Vigilância sem ação. Correndo o risco de perder suas aves, que já haviam ganhado a companhia de um casal de peru e mais quatro patos, ele questionou o motivo dos galos e galinhas mantidos no Bosque ao lado da Catedral Metropolitana e os marrecos do Lago Igapó 1 não se enquadrarem na mesma obrigação. ‘‘Depois que questionei isso, a orientação mudou e disseram que eu não precisava mais me incomodar’’, afirmou o dono do galinheiro.
Samuel disse acreditar que a denúncia partiu de algum vizinho descontente com o cheiro provocado pela comunidade de aves. ‘‘Quando lavava o galinheiro, a água escorria para a rua e deixava um mau cheiro.’’
Para não causar mais polêmica, ele resolveu agir e seguir a legislação. Os perus, os patos e as galinhas mais velhas foram doados para instituições de caridade. ‘‘Agora, espero que a prefeitura também tome providências’’, exigiu Samuel.
A coordenadora do setor de saneamento da Vigilância Sanitária em Londrina, Ane Cristina Hiltel, confirmou que os códigos de postura federal, estadual e municipal regulamentam a criação de animais em áreas residenciais urbanas. Inicialmente, o proprietário dos animais recebe uma recomendação. Em seguida, recebe um auto de infração e só depois é instaurado o processo.
‘‘Em questão de animais, enquanto não há reclamações de vizinhos não há problema’’, destacou. Ela afirmou que no caso de Samuel, a questão é que ele mora numa rua de terra e quando o quintal é lavado a sujeira fica empoçada, o que provoca um odor desagradável. Entretanto, a coordenadora admite que esta é uma questão de difícil solução, pois a Vigilância trabalha com base em denúncias.
O gerente da Vigilância Sanitária em Londrina, Marcelo Viana de Castro, garantiu porém que os fiscais não seguem uma cartilha rígida de punições. Segundo ele, os fiscais costumam tratar cada denúncia de maneira individual, tentanto ajustar os prazos à realidade dos proprietários dos animais.

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