Marcos Negrini‘Preço justo’Cícero Barbosa da Silva, na rua por falta de opção de emprego: ‘‘Só fixamos os preços de noite’’Os vereadores de Maringá aprovaram, com apenas dois votos contrários, uma lei que proíbe o trabalho dos guardadores de carros no município. Os flanelinhas, como são conhecidos, atuam em praticamente toda a área central da cidade, e mais intensamente no período noturno próximo a casas de shows. Pelos cálculos dos próprios guardadores, são mais de 200 flanelinhas ‘‘trabalhando’’ em Maringá. A disputa por um espaço é grande. Tanto que em alguns eventos eles chegam a dormir na calçada para ‘‘guardar o lugar’’.
O projeto, de autoria dos vereadores Shinji Gohara (PSDB) e Divarnir Brás Palma (PPB), prevê que os flanelinhas autuados no serviço de guardar veículos nas ruas sejam encaminhados ao Conselho Tutelar - os menores -, ou à Fundação de Desenvolvimento Social. Os idosos e deficientes serão selecionados e contratados pela Zona Verde, o estacionamento regulamentado.
Os que tiverem família, residirem em Maringá e forem realmente carentes mas não aproveitados pela Zona Verde, serão incluídos no Programa de Complementação Alimentar ou outro projeto similar do município. Os dois vereadores-autores não foram encontrados ontem pela Folha em Maringá. O vereador Miguel de Oliveira (PDT), que votou contra o projeto, alega que o Brasil é um país onde as leis não são cumpridas. ‘‘Se aprovada essa será mais uma lei que não será cumprida’’, acredita.
Marcos NegriniFalta de opçãoCláudio Moraes Galvão, pedreiro: ‘‘Só venho para a rua quando não tem outro serviço’’
Ele alega que como policial, conhece a realidade local das polícias, que não terão condições de abordar flanelinhas. ‘‘A polícia não tem nem condições de atender todas as ocorrências, como vai ficar fiscalizando o trabalho dos guardadores de carros’’, afirma. Oliveira diz ainda que conhece vários flanelinhas que garantem o sustento da família com o trabalho.
Menos empregosPara os flanelinhas os vereadores deveriam estar preocupados em criar mais empregos. O guardador Cícero Barbosa da Silva, que trabalha na avenida Brasil há três anos, diz que foi obrigado a optar pela rua pela falta de emprego. ‘‘Foi a última opção que encontrei para não deixar minha família passar fome’’, alega. Ele diz que não quer trabalhar na Zona Verde e que, ‘‘ao contrário do que todo mundo fala’’, os flanelinhas não ameaçam os motoristas e nem fixam valores. ‘‘Só cobramos um valor certo de noite quando tem show que atrai muita gente’’, afirma.
O pedreiro Cláudio Moraes Galvão, que ontem estava em um outro trecho da avenida Brasil, garante que só guarda carros quando não tem outra opção. ‘‘Quando não encontro um serviço tenho que vir para a rua, mas não gosto de ficar aqui. Parece que a gente não faz nada’’, diz. Ele afirma que não cobra nada, só pede para cuidar do carro e aceita o que a pessoa pagar. ‘‘Se a lei der emprego pra gente, acho bom’’.

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