Curitiba - Deve entrar em vigor na próxima semana uma lei municipal que proíbe a locação de cães de guarda em Curitiba, projeto que vem gerando muita discussão na cidade. De um lado, entidades de defesa dos animais acusam as empresas que exploram o serviço de maus-tratos. Já os empresários defendem a regulamentação da atividade e afirmam que podem recorrer à Justiça para tentar derrubar a lei. Enquanto isso, o destino de pelo menos 1 mil cães alugados para vigiar imóveis continua incerto.
A proposta que proíbe a locação de cães para fins de guarda foi elaborada pela Comissão de Saúde, Bem-Estar Social e Meio Ambiente da Câmara Municipal. No fim do mês passado, o projeto foi aprovado pelo plenário da Casa e, na última sexta-feira, sancionado pelo prefeito Beto Richa (PSDB). Agora, aguarda apenas publicação no Diário Oficial para que entre em vigor. A lei considera infratores tanto os donos dos cães como os proprietários de imóveis que alugam os animais. Em caso de desobediência, eles receberão multas iniciais de R$ 500, que podem dobrar em casos de reincidência.
A entrada em vigor da lei foi comemorada pela presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba, Soraya Simon. Ela conta que diariamente recebe denúncias de maus-tratos a cães de guarda. ''São casos de animais doentes, abandonados sem água e comida ou dando cria em locais inadequados'', diz. ''Além disso, não existe a atividade de locação de cães de guarda. Essas empresas funcionam com alvarás de adestramento'', acrescenta.
Já o empresário Juliano Armacolo, proprietário da Cão de Guarda, defende justamente a regulamentação da atividade. ''Proibir totalmente é um absurdo. Somos a favor da regulamentação, com fiscalização sobre as empresas e multas para os infratores'', justifica. Segundo ele, existem muitas empresas clandestinas atuando sem nenhuma preocupação com os animais. ''Com a nova lei, essas empresas vão acabar prevalecendo'', afirma. Armacolo diz ainda que as empresas estudam a possibilidade de ingressar com ações judiciais para tentar derrubar a lei.
Em meio à disputa, entidades e empresários discutem qual será o destino dos cães. Isso porque a lei não define o que deverá ser feito com eles. Para Soraya, a responsabilidade total pelos animais é dos proprietários. ''Cada um deve cuidar dos seus cães'', diz. Já Armacolo afirma que as empresas não têm condições de manter os cerca de 1 mil cães de aluguel que existiriam em Curitiba. ''De repente teremos que sacrificá-los, o que seria um crime'', declara.

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