Lei pode regular instalação de antenas
Uma comissão composta por engenheiros, ambientalistas e técnicos vai elaborar um projeto de lei para regulamentar as instalações de antenas de radiotransmissão em Curitiba. Preocupados com os efeitos das radiações eletromagnéticas transmitidas por essas antenas (principalmente as de telefones celulares) a longo prazo, a comissão quer esclarecer quais são os reais efeitos causados por elas. Os integrantes dessa comissão serão definidos hoje, no encerramento do 1º Seminário de Radiações Eletromagnéticas e seus Efeitos nos Equipamentos e Seres Vivos, promovido pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-PR).
Para o engenheiro José Otávio Banzzato, que faz parte da Comissão de Revisão do Código de Edificações e Postura da Câmara Municipal, a regulamentação da lei servirá para proteger a população e dar melhor embasamento às operadoras de telefonia para que elas atuem com mais segurança. Ele comenta que a lei atual é de 1953 e não aborda as torres e antenas para transmissão de radiofrequência.
Mas apesar de não existir laudos científicos que comprovem os riscos causados por essa radiação, é preciso realizar um monitoramento constante dos efeitos. A informação é do consultor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações de Campinas, Antonio Roberto Panicali. Segundo o consultor, a falta de evidências desses efeitos não significa que eles não existam. Podem se manifestar nas 3ª e 4ª gerações, comenta, justificando a necessidade de se manter um estudo nesse sentido, bem como monitorar a instalação dessas torres. Panicali afirma que esses efeitos dependem também do tempo que uma pessoa se expõem a essa radiação e que o principal risco é a desinformação.
A coordenadora do curso de especialização em engenharia de sistemas elétricos do Cefet, Maria de Fátima Ribeiro Cabreira, salienta que o desconhecimento das pessoas pode causar alarmes desnecessários e aponta como exemplo estudos da Faculdade de Medicina de Wisconsin, na Inglaterra, que afirmam que a radiação emitida pelas estações de radiobase (antenas de radiotransmissão) é muito baixa para causar riscos à saúde.
O aposentado Francisco Luquese, por exemplo, mora há 20 anos no bairro Cajuru e está pensando em se mudar desde que a Global Telecom uma das operadoras de telefone celular no Estado instalou uma antena ao lado da sua casa. Ele conta que ouviu falar que a proximidade com essas torres podem até causar câncer. Já o comerciante Ademar Ambrósio desconhece qualquer informação nesse sentido. Ele diz que nunca pensou que pudesse ter problemas de saúde por morar perto de uma antena.





