Lei pode obrigar Sanepar a pôr eliminadores de ar em hidrômetros
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sexta-feira, 07 de junho de 2002
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama - A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pode ser obrigada a instalar aparelhos que impedem a passagem de ar nos hidrômetros para garantir que os medidores registrem apenas o consumo de água. Projeto de lei neste sentindo está tramitando na Assembléia Legislativa e já foi aprovado pelos deputados. O projeto, apresentado pelo deputado Luiz Carlos Martins (PFL), deve retornar à pauta na próxima semana para votação de uma emenda. Se a emenda for aprovada, a nova lei dependerá apenas da sanção do Executivo para entrar em vigor.
O deputado baseou-se num estudo da Escola Federal de Engenharia de Itajubá (MG), segundo o qual a instalação de eliminadores de ar em hidrômetros daquela cidade reduziu em até 35% o consumo de água. Projetos de lei semelhantes ao do Paraná também tramitam no Senado e na Assembléia Legislativa de São Paulo. Em todo o Estado, centenas de consumidores reclamam que os hidrômetros, principalmente os aparelhos novos, registram a passagem de ar e acreditam estar pagando mais água do que realmente consomem.
Em Umuarama, nos últimos dois meses, mais de 120 pessoas procuraram os vereadores para reclamar de aumentos abusivos nas contas de água depois que a Sanepar instalou hidrômetros novos. Alguns consumidores tiveram aumentos de até 200% no consumo e muitos afirmam que os medidores giram quando falta água.
A Câmara criou uma comissão especial para investigar o problema. Desde o início do ano, a Sanepar substituiu na cidade 10 mil hidrômetros com mais de 5 anos de uso. A Sanepar fez um acordo com a Câmara e suspendeu as trocas até que as reclamações sejam analisadas. O vereador Eduardo Mello (PPB) já apresentou projeto sugerindo a criação de uma lei municipal para obrigar a Sanepar a instalar eliminadores de ar nos hidrômetros na cidade.
A questão é polêmica e promete gerar muita discussão. Segundo o Procon do Paraná, no ano passado foram registradas 386 reclamações contra os serviços de água e esgoto, a maioria delas relacionadas a cobranças indevidas. De janeiro a maio deste ano, foram 249 atendimentos. Segundo os atendentes do Procon, muitos consumidores reclamam do funcionamento dos hidrômetros.


