Sid Sauer
De Campo Mourão
A Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou ontem, em segundo turno, o projeto de lei que proíbe os médicos que atendem nos postos municipais de saúde a continuarem emitindo receitas manuscritas. De acordo com o projeto, as receitas médicas deverão ser datilografadas ou digitadas em microcomputador. A aprovação ocorreu por unanimidade e para entrar em vigor só depende da sanção do prefeito Tauillo Tezelli (PPS).
‘‘Não custa nada para um médico datilografar a receita’’, diz um dos autores da proposta, o vereador Edevaldo Louzano (PSL). O médico Moacir Porciuncula, um dos mais populares de Campo Mourão, disse ontem que apóia a proposta. ‘‘Esse projeto é importante porque acaba com a confusão da troca de medicamentos’’, afirmou. O médico, que já foi vereador e candidato a prefeito na cidade, disse que a lei deveria abranger também os consultórios particulares.
Segundo Porciuncula, é comum o vendedor da farmácia substituir o medicamento por outro mais caro com a desculpa de não ter entendido a letra do médico. Médico há 27 anos, Porciuncula sempre emitiu as receitas a mão, mas promete passar a usar máquina de escrever a partir de segunda-feira, mesmo em seu consultório particular. Outro médico, Glauco de Mello Nogueira, há 13 anos na profissão, adotou as receitas no computador há cerca de um ano.
‘‘Já aconteceu da farmácia vender um remédio com nome parecido para um paciente meu’’, conta Nogueira. Para acabar com esse problema, ele aposentou a caneta e instalou um computador no consultório. Ele cita como exemplos de confusão os remédios Triac (usado contra a gordura) e o Triatec (contra hipertensão), além do Dipirona (analgésico e antitérmico) e o Dioxina (para o coração). ‘‘A troca às vezes não mata, mas não cura o paciente.’’
Apesar do apoio, Nogueira acredita que vá haver resistência entre os médicos. ‘‘Nem todos os médicos sabem datilografar e nos postinhos o atendimento é muito corrido’’, ressalta. O farmacêutico Oswaldo Wronski, que atua há 45 anos ano ramo, também aprova o projeto. ‘‘O paciente passa a entender não só o nome do remédio, como também o modo de usar’’, explica. Segundo ele, poucos médicos da cidade já datilografam as receitas. ‘‘É uma meia dúzia.’’
O farmacêutico diz que é comum a necessidade de se ligar para o médico para descobrir o que ele escreveu na receita. Wronski conta que já teve casos em que a receita teve que voltar para o consultório e nem o médico entendeu o que havia escrito. ‘‘A iniciativa é válida e espero que os médicos levem a idéia para suas clínicas particulares.’’Vereadores de Campo Mourão aprovaram projeto por unanimidade e para entrar em vigor só depende da sanção do prefeito
Simone GirotoMEDIDA PREVENTIVAPara o médico Moacir Porciuncula, o projeto é importante porque acaba com a confusão da troca de medicamentos: ‘‘Lei deveria abranger também os consultórios particulares’’

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