A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) resolveu regulamentar a lei complementar nº 14, de 1982, sob o protesto dos investigadores e escrivães de polícia. A lei estabelece no artigo 210, item 22, que todos os delegados compareçam aos distritos e delegacias vestidos com terno e gravata. As mulheres terão que usar saia e blazer. Os investigadores e escrivães de polícia terão um prazo de 60 dias para trocar o jeans, as camisetas e os tênis por roupas sociais. ‘‘O policial precisa estar bem trajado, higienizado. O policial que vai trabalhar de calça rasgada, desbotada, barba por fazer já deixa uma má impressão para as pessoas que querem ser atendidas. Ninguém sabe ao certo quem é o bandido e quem é o policial’’, justificou Leonyl Ribeiro, delegado-geral da Polícia Civil.
A lei é de 1982, época do ex-governador Ney Braga, mas nunca foi regulamentada. ‘‘A gente quer melhorar a apresentação do policial civil. Trabalhei com um policial que ia trabalhar de regata e calça rasgada. Achava um absurdo, mas não havia regulamentação para isto’’, declarou Ribeiro.
A decisão de regulamentação da lei causou descontentamento entre os investigadores. O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná, Luiz Bordenowski, disse que o momento é impróprio por causa dos baixos salários. Ele argumentou que o investigador de polícia recebe R$ 700,00 e não tem condição de melhorar suas vestimentas. ‘‘É verdade que andamos mal vestidos. Mas não temos como nos vestir melhor. O correto era dar um aumento para os policiais ou subsidiar suas vestimentas’’, sugeriu.
Já os delegados de polícia recebem entre R$ 5 mil e R$ 9 mil. ‘‘Esta resolução trouxe mal-estar e revolta. Eles estão indignados com isto. Eles se vestem da forma mais barata’’, insistiu. Leonyl Ribeiro descorda do sindicalista. De acordo com ele, o policial paga o mesmo para comprar uma calça jeans ou uma calça social. O sapato seria mais barato do que o tênis. ‘‘Os baixos salários não podem justificar o relaxo’’, considerou o delegado.
Outra argumentação dos policiais civis é a de que a roupa social atrapalharia nas investigações. ‘‘O policial tem que entrar em favelas, na lama, no matagal. Esta é uma vestimenta inadequada. Só serviria para a área administrativa e caso os salários fossem aumentados’’, complementou Bordenowski.
A dona de casa Jussara Cris, de 50 anos, duvidou que os policiais civis mudem o comportamento nos distritos. ‘‘Você acha que eles irão fazer isto?’’, ironizou. Para ela, esta é mais uma lei fadada ao fracasso. A desempregada Ana Francisca, de 32 anos, disse que a regulamentação da lei é inoportuna. ‘‘Que adianta estar bem vestido e atender mal o público?’’, questionou ela, ao dizer que o comportamento deles seria o mesmo com a população.

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