Lei obriga execução de Hino Nacional nas escolas
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A cena em que crianças formam filas e entoam, com a mão no peito, o Hino Nacional nas escolas pode se tornar cada vez mais frequente. Colégios públicos e particulares de ensino fundamental de todo o país terão de executar o hino pelo menos uma vez por semana. É o que determina lei, de autoria do deputado Lincoln Portela (PR-MG), sancionada no último mês pelo então presidente em exercício, José Alencar. Apesar da exigência, não foi estabelecido data nem horário para execução do hino, muito menos está prevista qualquer fiscalização ou punição.
Diante dessa decisão, o que será que as crianças e adolescentes estão achando de tudo isso? Será que eles gostam e entendem realmente o que estão cantando? Um grupo da quarta série da Escola Municipal Norman Prochet (Região Sul), afirma não ter problemas em cantar o hino. Até mesmo porque já existe em Londrina uma lei - nº 6.008, de 23 de setembro de 1994 - determinando que o Hino Nacional Brasileiro e o Hino a Londrina sejam executados e entoados nas escolas municipais uma vez por semana.
E, por isso, os alunos da escola estão acostumados a hastear a bandeira uma vez na semana. Enzo Crosati Saavedra, de 9 anos, diz que a letra não é difícil, pois desde a primeira série canta todas as semanas. ''Canto desde pequeno e gosto muito. Sei a letra inteira. Eu acho importante as crianças saberem o hino do seu país porque é uma forma de homenagear as pessoas que lutaram no passado pela nossa independência'', disse.
Uma das alunas, Beatriz Cupini Pinheiro, de 9 anos, confessa que a primeira vez que ouviu não entendia muito bem a música. ''Com o tempo fui aprendendo o significado das palavras. Todos os meus cadernos têm a letra do hino na contracapa e isso ajuda bastante.'' João Rafael Mafra Gaino, 9 anos, também não vê problemas em cantar o hino toda a semana. ''Tenho orgulho do Hino Nacional; é uma forma de demonstrar respeito pela nossa pátria. É importante também para podermos ensinar aos nossos filhos sobre as pessoas que trabalharam no passado.''
Enquanto os pequenos parecem não ter problemas e têm a resposta na ponta da língua, os maiores são um pouco mais resistentes. Tiago Domingues dos Santos, de 14 anos, aluno da Escola Estadual Tiradentes (Região Central), - que há três anos tem a sexta-feira reservada para a execução do hino - diz que a música poderia ser tocada uma vez ao mês. ''Não vejo necessidade de toda a semana ter de cantar, porque perdemos um tempo de aula. Acho que uma vez por mês estava bom. Até gosto de cantar o hino, mas às vezes não tenho vontade; canto por respeito'', alega.
Outra aluna da escola, Joice Viviane Pires dos Reis, 12 anos, comenta que o hino poderia ser mais fácil. ''Apesar de não achar a letra tão difícil, existem algumas palavras que eu não sei o significado. Quando isso acontece, peço explicação para a professora ou procuro no dicionário. Eu, particularmente, gosto de cantar, mas a maioria do pessoal não; tem muita gente que não canta.'' Já Lincon Rhuy Evangelista, 15 anos, conta que mesmo tropeçando em algumas partes da letra, não se incomoda. ''Canto mesmo sem saber todo hino. Acho que temos que ter respeito pela pátria.''
Segundo o diretor da escola, Cícero da Silva, quando implantou a execução do hino, houve um pouco de resistência e cara feia. ''No início, alguns achavam desnecessário. Mas com o tempo, os alunos foram se acostumando e hoje já está incorporado nas atividades da escola. Percebo que depois disso melhoraram muito a questão da disciplina. Para não ser um processo individual, os professores de português e história trabalharam em conjunto. Um ensinando a letra e seu significado e outro, o contexto histórico'', explica.
Preparação
Ainda que muitas escolas já tenham em sua grade curricular a execução do hino, outras começam a se preparar para a determinação. O diretor do Colégio Maxi, Ubiraci D'Andrea, diz que no momento a prioridade é colocar o material em dia para repor a aulas suspensas pela gripe A. ''Quando normalizarmos a situação faremos um projeto pedagógico que abrange questões mais amplas, que não somente a execução do hino. Tocar o hino por si só pode se tornar algo mecânico e não alcançar o verdadeiro objetivo que é incentivar noções de cidadania.''
Para ele, o maior desafio será desenvolver um projeto no qual a obrigatoriedade não seja o foco principal. ''Não podemos pensar apenas na obrigação, como uma tarefa a ser cumprida, mas no que isso vai representar para a criança no processo de cidadania e que tenha realmente uma função. Somente executar o hino sem uma contextualização seria um processo vago. Por isso, vamos desenvolver vários projetos pedagógicos interdisciplinares, e o hino fará parte de um deles'', completa.


