Lei não reduziu espera em filas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Marta Medeiros 
Em Maringá, uma polêmica se formou depois que a Câmara Municipal aprovou, em abril, e o Procon colocou em prática uma lei municipal exigindo dos bancos estrutura para o bom atendimento aos clientes. Algumas dessas instituições já foram até multadas mas, indiferentes ao público, os gerentes não se pronunciaram a respeito e as assessorias alegaram que o município não tem competência para legislar sobre o assunto.
O argumento desses bancos pode até ser levado em consideração quando se analisa o ordenamento jurídico em questão, porém, fica claro que para as instituições financeiras pouco importa o bom atendimento. Pela lei, além de um sistema de senhas, os bancos deveriam instalar assentos com encosto e não deixar o cliente por mais de 20 minutos na fila.
Os artigos da lei assustaram gerentes e diretores de alguns bancos, como se fosse um absurdo pedir um atendimento rápido, eficiente e confortável. Absurdo, em nada comparado, quando se avalia as taxas de serviços bancários.
Para esses bancos foi mais fácil discutir a competência do município em legislar o tema do que aceitar o fato de que a lei surgiu da insatisfação do consumidor. Ou seja, as pessoas cansaram de ficar em filas. O Procon de Maringá continua recebendo reclamações de clientes e consumidores que ficam até uma hora e meia para ser atendidos.
A conquista de uma legislação específica, a favor do consumidor foi, sem dúvida, uma vitória. Ora, para o consumidor, pouco importa se o município é impedido de criar leis exigindo estrutura de atendimento dos bancos, pois o que interessa, de fato, é o respeito. É bom lembrar que, além das filas tradicionais, o cliente enfrenta hoje as dos caixas automáticos. Ao invés de reclamar da lei, alguns bancos deveriam preocupar-se em prestar um bom atendimento, respeitando os princípios básicos de relacionamento entre cliente e empresa.


