Lei não extingue fila para transplante
Emerson Cervi
De Curitiba
A nova lei de doações de órgãos, em vigor há um ano e meio, aumentou o número de transplantes. Mas, não tem sido suficiente para reduzir as filas de espera dos pacientes. A Central Estadual de Transplantes tem hoje 47 pacientes precisando de transplante de coração, 643 de córneas, 52 de fígado, 1.245 de rins e um paciente que necessita de um pulmão. Este é o mesmo número de pessoas que estavam na lista há dois anos, antes da nova lei.
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes, Ivana Kaminski, a redução da lista de espera não depende apenas da disponibilidade de órgãos. O aumento de casos de hepatite faz crescer o número de ocorrências de cirrose hepática e a demanda por transplante de fígado, explica. Há também o envelhecimento da população, que amplia a demanda por órgãos. O tempo médio de permanência na fila de espera por transplante continua em dois anos.
Em 1996, a central recebeu 302 notificações de órgãos para serem transplantados no Estado. Em 1997, foram 252 notificações e no ano passado, depois da nova lei, subiu para 450. O número de transplantes também cresceu. Entre janeiro e julho de 1998 foram 187 transplantes de rim, fígado, coração e córneas. De janeiro a julho deste ano já são 315.
Para quem aguarda há anos por um transplante, pouco adianta o crescimento do número de doações se o tempo de espera continua o mesmo. Maria de Lourdes Schawrz, 57 anos, é a primeira da fila para transplante de rins no Estado há seis meses. Até hoje não conseguiram um doador compatível para mim, disse. Ela faz hemodiálise três vezes por semana. Tem gente que espera até seis anos pela cirurgia, mas eu tenho problemas no sistema circulatório e meu organismo não aguenta mais um ano de hemodiálise.
Uma colega de sessão de hemodiálise de Maria de Lourdes está em situação ainda pior. Rosilda Ferreida dos Santos, 48 anos, esperava há 10 anos por um transplante. No ano passado começou a sofrer de osteoporose e decidiu sair da lista. Eu só fico deitada, não seria justo tirar o rim de alguém que poderá viver normalmente depois da operação, diz. Mas, apesar da invalidez de Rosilda, no início deste ano o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) cancelou o auxílio-doença de um salário mínimo que ela recebia há 4 anos. Apesar de eu não conseguir nem andar, disseram que eu não tenho direito ao auxílio-doençca porque ainda mexo as mãos, reclama.





