Os municípios do Oeste e Sudoeste do Estado não têm Comissão Municipal de Defesa Civil em funcionamento. Em Cascavel, uma lei, em vigor desde o início de 96, tinha determinado a criação da Comissão de Defesa Civil. Porém, até hoje, a lei permanece apenas no papel e os membros da comissão não foram indicados.
O que motivou a implantação da lei foi o vendaval que atingiu a cidade em 20 de outubro de 1995 e destelhou pelo menos dez mil casas. O furacão que praticamente destruiu Nova Laranjeiras (110 quilômetros a leste de Cascavel) no dia 13 deste mês, deixando 3 mortos e cerca de 90 feridos, despertou a atenção da comunidade para a falta destes organismos.
Agora, sob o impacto da situação em Nova Laranjeiras, a Câmara de Cascavel está solicitando formalmente ao prefeito Salazar Barreiros (PPB) que ative a Defesa Civil, nos moldes da lei assinada por seu antecessor, Fidelcino Tolentino (PMDB). A Câmara atende requerimento apresentado pelo vereador Tiago de Amorim Novaes (PPB).
Segundo o vereador, nos municípios onde há lei neste sentido, a falta de constituição das comissões ‘‘pode caracterizar crime de omissão contra a segurança pública’’. As comissões devem articular órgãos públicos, entidades privadas e Defesa Civil estadual para medidas preventivas de socorro, assistência e recuperação.
A lei prevê que a comissão seja composta pelo prefeito (presidente), vice-prefeito (adjunto), um secretário, diretoria de operações, grupo de atividades fundamentais e conselho de entidades não governamentais, formado por representantes de clubes de serviço, sindicatos, órgãos assistenciais e outros. No requerimento ao prefeito, a Câmara observa que a população ‘‘não pode ficar à mercê de catástrofes que podem se abater a qualquer momento’’.
O comandante do 4º Grupamento de Incêndio do Corpo de Bombeiros de Cascavel, tenente-coronel Mário Yoshio Wako, não tem conhecimento da existência de comissões do gênero em qualquer um dos 90 municípios da região. ‘‘Sem dúvida, elas são muito importantes, pois assumiriam tarefas em complementação às da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, que ficariam mais diretamente empenhados no socorro direto às vítimas’’, observa o comandante.
As comissões cuidariam de questões relacionadas à alimentação, abrigo e outras, que não requerem a participação de profissionais do socorro, como bombeiros e policiais militares. No caso de Nova Laranjeiras - assim como em Cascavel, em 95 -, coube às coordenações regionais da Defesa Civil (diretamente ligadas à PM e Bombeiros) as ações em socorro à população, enquanto entidades da sociedade civil tiveram que ser mobilizadas às pressas.
Mau tempoCatástrofes resultantes de fenômenos meteorológicos vêm se repetindo, nos últimos anos, nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Em 95, em Cascavel, foram 10 minutos de ventos e chuvas fortes, e faltou sintonia entre as ações do Município e da Defesa Civil estadual.
Na mesma época, em Santa Tereza do Oeste e Lindoeste, 600 casas foram destelhadas. Em maio de 92, no município de Santa Lúcia, um tufão fez quatro vítimas fatais, mesmo número de mortes registrado em setembro de 89 nos municípios de Missal e São Miguel do Iguaçu.

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