Lei garante mais vagas para mulheres no Corpo de Bombeiros
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quinta-feira, 28 de julho de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Há quase três décadas, algumas mulheres paranaenses vestem a farda da Polícia Militar (PM) uma das últimas peças do vestuário a ocupar espaço no guarda-roupa feminino pós Revolução Industrial, que convocou a participação da mulher no mercado de trabalho.
Apesar de atualmente, de cada quatro famílias brasileiras, uma ser chefiada por uma mulher, somando 42% da população economicamente ativa do país, existem distorções que ainda precisam ser corrigidas. Na PM, desde a formatura da primeira turma de oficiais femininos paranaenses, em 1977, a corporação tem cerca de 500 policiais mulheres, sendo que o número de oficiais é de aproximadamente 40.
Corrigindo a rota da igualdade entre os sexos também nos batalhões, o governador Roberto Requião (PMDB) sancionou, na semana passada, projeto de lei da deputada estadual Elza Correia (PMDB), que prevê que 50% das vagas de concursos públicos para o Corpo de Bombeiros sejam destinadas às mulheres.
A sanção traduz uma reivindicação de muitos anos, sendo que em abril do ano passado o projeto foi proposto, dando um empurrão na carreira militar de mulheres que, antes tinham a limitação de um teto de 6% das vagas.
O limite foi estabelecido pela lei 12.975, de 20 de novembro de 2000, que unificou o quadro de carreira dos militares homens e mulheres, o que deu chanche a elas de uma soldado chegar a coronel. Porém, a conquista custou o acordo, que limitou o número de vagas a 6%.
''Havia essa discriminação de gêneros. Então, conversei com o governador Roberto Requião e apresentamos o projeto em vista do número de mulheres que gostaria de ingressar na carreira de bombeira. Não existe uma área em que a mulher não esteja presente. Nessa carreira, temos uma atenção coletiva. Fazemos várias coisas ao mesmo tempo com qualidade e competência. Somos detalhistas e humanistas. É um desperdício a humanidade dispensar essas qualidades'', afirma a deputada Elza Correia.
A major Rita Aparecida de Oliveira, 46 anos, é da primeira turma de oficiais formada em 1977, participando das discussões para a aprovação e posterior sanção do projeto. ''Vejo como uma grande conquista. Em 27 anos de policiais femininos no PR, o número de mulheres é de 500. Agora com esse percentual, vamos recuperar o tempo. Vejo que já era hora de mulheres no Corpo de Bombeiros. Em outros estados, como Acre, Amapá, São Paulo e Rio de Janeiro já têm. Essas mulheres estão se saindo bem na carreira. É um trabalho de suma importância, considerado nobre por salvar vidas'', avalia a major Aparecida, lembrando que a sociedade sempre acolheu o trabalho das policiais.
A major coordena o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e lembra que a busca pelo primeiro emprego lhe abriu as portas para a carreira militar.
''Hoje, amo muito minha profissão. Tenho orgulho em ser oficial do Polícia Militar do Paraná. Tanto que tenho por hábito andar sempre fardada'', afirma a major, não vendo limitações na atividade para as mulheres, e que o risco na profissão é algo inerente.
Atualmente, 23 recrutas estão fazendo curso para soldado do Corpo de Bombeiros. A formação compreende um período mínimo de seis meses.


