Cristine Pieske

Kraw PenasVida novaMarlene De Lazzari, com o fígado novo: ‘‘Sei que devo muito à família do doador, mas acho que a lei também me ajudou’’O resultado do primeiro mês de vigência da nova lei de transplantes, que transformou todos os brasileiros em doadores presumidos de órgãos desde o dia 1º de janeiro, confirmou o que já era esperado. A lei não fez crescer o número de doações em nenhum Estado brasileiro, mas contribuiu para que a população fosse melhor informada sobre o assunto. No Paraná, a Central de Transplantes do Estado registrou 25 notificações de potenciais doadores durante o mês de janeiro e 11 casos de retiradas de órgãos - números pouco superiores à média mensal dos últimos dois anos.
‘‘Os problemas que emperram a doação de órgãos no Brasil continuam existindo, e é por isso que a lei ainda não teve um reflexo maior’’, afirma a coordenadora da Central, Cristina Von Glehn. Entre as dificuldades, a coordenadora enumera a falta de estrutura dos hospitais para fazer a manutenção do doador até o momento da retirada dos órgãos e a demora no processo de documentação da morte encefálica. ‘‘Muitas vezes os órgãos não podem ser aproveitados porque há falhas neste processo, e não porque não existe um doador’’, afirma.
Kraw PenasNa torcidaFantachole, preocupado com a repercussão negativa da lei: ‘‘Nós, que dependemos da doação para continuar vivendo, sabemos o quanto ela é importante’’
Com as novas exigências da lei, segundo Cristina, o tempo de documentação da morte encefálica (atestado de que o cérebro do paciente perdeu suas funções vitais) aumentou em média de 12 para 30 horas, o que em alguns casos prejudica a utilização dos órgãos. ‘‘A responsabilidade dos médicos no processo de documentação ficou ainda maior e a classe não quer correr riscos’’, diz.
Segundo a coordenadora do departamento de Procedimentos de Alta Complexidade do Ministério da Saúde, Selma Loch, a grande mudança trazida pela lei foi a facilidade de abordagem familiar. ‘‘Agora a família já se declara a favor ou contra a doação antes mesmo que a pergunta seja feita, o que demonstra o amadurecimento da população’’, diz.
Para a coordenadora da Unidade de Transplante Renal do Hospital Evangélico, Fabiana de Carvalho Contieri, ainda levará algum tempo até que a lei tenha reflexos efetivos no número de transplantes. ‘‘A população ainda está com medo, e por isso muita gente continua se negando a fazer a doação’’, afirma.

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