Lei faz aumentar esperança na fila de espera
A dona-de-casa Marlene Mello De Lazzari, de 61 anos, foi a primeira pessoa a receber um fígado no Paraná desde que a nova lei de transplantes entrou em vigor. Com o funcionamento do órgão comprometido em decorrência da cirrose, a dona-de-casa era considerada uma paciente em estado grave e aguardava um transplante há mais de seis meses. Operada há 13 dias no Hospital das Clínicas, Marlene diz que a possibilidade de receber um novo fígado acabou com sua espera dramática e lhe devolveu à vida. Sei que devo muito à família do doador, mas acho que a lei também me ajudou, diz.
Assim que a nova lei entrou em vigor, no início do ano, a Marlene conta que chegou a acreditar que os doentes seriam prejudicados. A população ficou com muito medo e tive certeza que o número de doações cairia, afirma. Hoje, recuperando-se da cirurgia, ela afirma que a doação presumida de órgãos deve ser encarada com uma nova esperança para as pessoas que estão na fila de espera. Acho que todos começaram a perceber que a doação pode salvar vidas e que a nossa mentalidade deve mudar, afirma.
Para o mecânico Dionice Fantachole, de 41 anos, a chance de receber um novo fígado ainda não chegou. Também portador de cirrose hepática em grau avançado, ele aguarda há meses a notícia sobre a existência de doador compatível com seu tipo sanguíneo. Se Deus quiser, logo, logo a boa notícia vai chegar, diz com otimismo. Preocupado com a repercussão negativa da lei, Fantachole acredita que as pessoas que se negam a doar órgãos também deveriam ser proibidas de recebê-los. Nós, que dependemos da doação para continuar vivendo, sabemos o quanto ela é importante, diz.(C.P.)





