Uma lei sancionada em Cascavel obriga os supermercados a disponibilizarem cadeiras de rodas dotadas de cestos para que os clientes paraplégicos possam fazer compras. O vereador Itacir Gonzatto (PPS), autor da lei, prevê que os supermercados considerados pequenos mantenham pelo menos uma cadeira adaptada, enquanto os grandes deverão deixar três à disposição.
O projeto considerado inovador pelas entidades que representam os deficientes físicos determina uma multa de 100 UFMs (Unidade Fiscal do Município), equivalente a R$ 1.260,00, para os supermercados que infringirem a lei. Em caso de reincidência, o valor será dobrado. O presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Cascavel (Adefica), Waldecir Aparecido Oliveira, considera positiva a nova legislação, mas teme que não seja aplicada.
Ele observa que os deficientes físicos ainda sofrem muita discriminação, além de enfrentar barreiras, como a locomoção. ''Sem dúvida é um projeto muito importante, mas acho que eles poderiam ter nos procurado antes de fazê-lo. Poderíamos apresentar sugestões'', completa.
O militar da reserva Alberto Moy, deficiente físico, afirma que aos poucos as conquistas são obtidas. ''Há alguns anos a situação era bem mais complicada. Estamos encampando algumas lutas, como a garantia de mecanismos que facilitem nossa locomoção nos ônibus'', completa.
O presidente regional da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Paulo Beal, faz críticas à forma como o projeto foi elaborado, sem consulta à entidade. Ele acrescenta que nunca recebeu reclamações de deficientes sobre a disponibilização de cadeiras de rodas em sua rede de supermercados. ''Poderíamos ter participado da elaboração, ainda mais por ser um projeto inédito'', conclui.

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