Uma nova lei entrou em vigor ontem, em Campo Mourão, e permite que os deficientes físicos, visuais, auditivos e mentais embarquem e desembarquem dos ônibus do transporte coletivo urbano em qualquer lugar do itinerário, sem a necessidade de obedecer os pontos pré-determinados. A lei, apresentada pelos vereadores Júlio Vieira dos Santos e Maria Verci Ribeiro, ambos do PDT, apesar de já estar em vigor tem 60 dias para ser regulamentada pela prefeitura.
‘‘É difícil para um deficiente físico ter que descer do ônibus várias quadras antes do seu destino só porque não há um ponto mais perto’’, justificou Santos. Segundo o vereador, são ‘‘pequenas e rotineiras’’ dificuldades que se tornam grandes problemas no dia-a-dia dos deficientes. ‘‘São situações que deixam eles ainda mais expostos às variações do clima e à ação de marginais’’.
A nova lei, no entanto, só entrou em vigor porque o presidente da Câmara, José Eugênio Maciel (PSDB), promulgou o projeto. No final do ano passado, o então prefeito em exercício, Márcio Nunes (PTB), vetou o projeto alegando que a matéria não era de interesse público. Nunes chegou a dizer, na justicativa, que a idéia era ‘‘louvável’’, mas que os pontos de ônibus obedeciam critérios técnicos de distância, itinerário e segurança.
Mesmo com o veto derrubado, o prefeito Tauillo Tezelli (PSDB) não se manifestou a respeito, o que obrigou a própria Câmara a promulgar a lei. ‘‘Gostei da idéia’’, disse o funcionário do Correio Agnaldo Feitoza, 31 anos, portador de paralisia infantil. Ele não usa mais o transporte coletivo urbano, mas já foi usuário de ônibus por vários anos.
A também funcionária do Correio Jeille Alécio, 22 anos, usa os ônibus todo dia para trabalhar. ‘‘Tenho sorte que os pontos são pertos, mas a lei vai ajudar muito, principalmente em dias de chuva’’. Segundo ela, os motoristas que a conhecem já param fora do ponto em dias que está chovendo. ‘‘Eles são legais, mas não são todos que conhecem a gente’’. Jeille usa uma muleta para caminhar.
A Folha não conseguiu contato ontem com a Viação Mourãoense, que é a responsável pelo transporte coletivo urbano em Campo Mourão. O diretor da empresa, Flávio Gurginski, está em férias. No ano passado, a empresa foi obrigada a colocar um ônibus adaptado para o transporte de deficientes físicos que usam cadeiras de rodas, a pedido do Ministério Público. A linha, no entanto, teve pouco uso e foi suspensa para novas adaptações no veículo.

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