Lei existe só no papel em cidades de pequeno porte
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 1998
Luiz Carlos Dias Junior Especial para a Folha 
Localidades como Turvo (38 km de Guarapuava) conhecem o Código de Trânsito Brasileiro apenas pela televisão e jornais. Na prática, a falta de sinalização e o pouco policiamento nas ruas preocupam mais os motoristas que são de fora e já estão acostumados com o rigor da nova lei.
Turvo, com 16,5 mil habitantes, chega a ficar mais de três meses sem o registro de ocorrência. Mas o baixo índice de acidentes deve-se mais à pouca quantidade de carros circulando do que o respeito à lei de trânsito.
Na opinião da empresária Lídia Vereia de Campos Ferreira, o código é apenas mais uma lei, já que a falta de sinalização não deixa que o bom motorista cumpra as regras de trânsito. Não dá para saber qual rua é preferencial. O jeito é andar devagar e com atenção redobrada, afirma.
O fato de ter a maior parte das ruas com calçamento do tipo paralelepípedo também cria dificuldades. Há lombadas nas ruas mas sem placas de sinalização, acrescenta a empresária.
Por ter também nas ruas da cidade elevado número de motoristas da zona rural, que muitas vezes desconhecem as mudanças com a nova lei, é comum verificar motoristas sem usar o cinto de segurança. O pessoal só lembra de utilizar o cinto de segurança quando tem que fazer algum trecho no asfalto (estrada), diz Lídia Ferreira.
Ela acrescenta que cumpre as leis de trânsito quando viaja para localidades onde há sinalização. Mas o pessoal da zona rural, quando precisa sair da cidade, sempre prefere ir de ônibus, pois na maior parte das vezes não sabe nem como se locomover de carro fora de onde mora.
Segundo o soldado do destacamento da Polícia Militar em Turvo, Adriano Pereira, a fiscalização dos policiais é dificultada pela falta de sinalização. O estacionamento geralmente é feito irregularmente. Para conscientizar os motoristas, são feitas campanhas com distribuição de panfletos e palestras nas escolas.


