O rapaz preso anteontem em Londrina sob denúncia de ter abusado sexualmente da própria filha, de sete anos, morreu ontem à tarde, após ser submetido à ''lei dos presos'' e severamente espancado. Em poucas horas, M.P.V., 27 anos, passou pelas carceragens do 2º Distrito Policial (DP) e da Casa de Custódia de Londrina (CCL), antes de ser levado ao Hospital Universitário (HU). Um inquérito policial irá apurar o caso.
De acordo com a Polícia Civil, o pai confessou ter mantido relações sexuais com a filha, alegando que era a criança quem o procurava. O crime, classificado como atentado violento ao pudor, foi denunciado pela mãe da menina. A polícia aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para confirmar a natureza das agressões.
Anteontem, depois de prestar depoimento, M.P.V. foi encaminhado para o 2º DP, na Zona Leste. Segundo o delegado titular do distrito, Antônio do Carmo, o rapaz foi colocado em uma cela conhecida como ''seguro'', reservada para presos que cometem crimes que costumam provocar a revolta dos demais detentos. Mesmo com a precaução, M.P.V. acabou sendo agredido pelos colegas de cela.
''Houve uma pressão geral entre os presos e o rapaz levou uns tapas. Tivemos que deixá-lo algemado no corredor porque seria surrado em qualquer cela'', contou Antônio do Carmo. Segundo ele, os presos tomaram conhecimento imediato do crime após reportagem mostrada na televisão. O xadrez do ''seguro'' tinha 16 presos na tarde do incidente. O 2º DP é o único na cidade que possui esse tipo de isolamento.
No final da tarde, o delegado obteve junto à Vara de Execuções Penais (VEP) a transferência do detento para a CCL (Zona Sul). Lá, ele também foi mantido em cela especial com mais seis presos ameaçados. Às 19 horas, os agentes encontraram o rapaz desacordado e bastante ferido, segundo informou o diretor da CCL, major Edson Thomaz. Ele foi levado para o Hospital Universitário (HU) em estado grave. Segundo a assessoria do HU, ele morreu às 17 horas.
''Ele já chegou na CCL com vários hematomas e escoriações. Agora vamos questionar os companheiros de cela para saber se o detento foi agredido aqui também. Estamos um tanto surpresos com o fato, porque não é comum que haja agressão entre os presos do 'seguro' que têm o mesmo perfil'', alegou Thomaz. Segundo ele, quando um suspeito de abuso sexual chega à instituição os agentes fazem rondas periódicas para evitar problemas.

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