Moradores e empregados das mansões vizinhas à do fazendeiro José Antônio Daher, às margens do Lago Igapó, no Jardim Bela Suíça (zona sul), tentam manter a rotina. Mas a prisão do fazendeiro com 300 quilos de cocaína - segunda-feira, depois de uma invasão cinematográfica da mansão pela Polícia Federal - provocou perplexidade e também comentários maliciosos.
Alguns vizinhos tentam fazer de conta que nada aconteceu e sequer receberam a reportagem da Folha. Outros, fizeram declarações sob a condição de que seus nomes não fossem revelados. Um vizinho não pediu sigilo, mas a Folha decidiu divulgar suas declarações com pseudônimo.
Durante a tarde de ontem o movimento na Avenida Ademar de Barros, que dá acesso às mansões do Igapó, era normal. Entre as 15h30 às 16 horas, dois automóveis adentraram à casa de Daher.
Nas mansões vizinhas, nenhuma movimentação. Alguns vigias, instalados em guaritas, recusaram-se a atender a reportagem. Em outras casas, o contato foi feito pelo interfone. Na rua, algumas empregadas domésticas que caminhavam pela em direção ao ponto de ônibus, recusaram-se a comentar o assunto. Outras, fizeram algumas declarações, mas pediram que suas identidades não sejam reveladas.
‘‘Não vá dar bandeira por aí. A gente não sabe de nada’’, disse uma moradora das proximidades das mansões do lago. Ela estava acompanhada por uma filha e desconversou quando a reportagem perguntou seus nomes. Ela havia dito que quase todas as manhãs via uma mulher e um rapaz saírem de carro da mansão do fazendeiro. A senhora chegou a dizer que nunca desconfiou de nada. ‘‘É tudo muito fechadinho, com muros altos. Não dá para ver nada. Essa gente bacana é assim mesmo.’’
Um dos vizinhos disse à Folha que sua família não é íntima dos Daher mas mantinham relacionamento cordial. ‘‘A notícia do flagrante foi uma surpresa muito grande para nós. Um verdadeiro choque, pois eles são educados e têm comportamento normal. Nada indicava este tipo de coisa, por isso não havia nenhuma suspeita’’, disse Marcelo, revelando que é estudante de Direito.Mario CesarBairro nobreMoradores da Avenida Ademar de Barros, onde está localizada a mansão do pecuarista Daher, evitam comentar sobre o assuntoÁureo Nogueira

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