Lei do silêncio impera no bairro
Rio Branco do Sul - Jeferson Vidal, 29 anos, filho da mulher morta ontem no atentado, é vizinho da casa dos pais e ouviu o estrondo da explosão. Ao ver que o som teria vindo da residência da família, correu até o local e encontrou a mãe ainda com vida. Foi Jeferson quem levou Rute ao hospital. Lacônico em suas declarações, Jerferson diz não saber o que motivou tamanha violência. "Não sei de muita coisa", costuma repetir, assim como todos os moradores do bairro, onde a lei do silêncio parece imperar.
Jeferson lembra que, nos últimos anos, cinco pessoas de sua família foram assassinadas -como no caso da mãe, nenhuma explicação sobre o motivo dos crimes. "Desprotegidos? Todos nós estamos. Tenho medo pelos meus filhos, minha família", diz ele, a respeito da possibilidade de novos atentados. Já em relação ao trabalho da polícia, afirma que não tem muita esperança. "A polícia é fraca. Se pegar quem fez isso, melhor. Agora está nas mãos deles", comenta, sem grandes esperanças de justiça.
Os moradores do bairro Papanduva também preferem não falar sobre o acontecido. Muitos se esquivam e dizem não ter visto o carro que lançou a bomba. Sobre a principal desconfiança da polícia para o motivo do crime -o acerto de contas- todos dizem não saber de nada. É o caso do próprio Vagner Vidal, 23, que estava dentro casa no momento em que esta foi atingida pelo explosivo. "Eu estava lá dentro, mas não vi nada. Quando acordei, já estava no hospital", limita-se a dizer, com a cabeça enfaixada e as pernas e braços cheios de sangue. (T.A.)





