Desde 1999, Londrina possui uma lei municipal regulamentando que os molhos - como maionese, catchup e mostarda - distribuídos por quem trabalha com alimentos devem ser oferecidos em sachês para os clientes. Mas até hoje, num flagrante descumprimento da legislação, as bisnagas ainda são largamente utilizadas por grande parte dos estabelecimentos e comerciantes. E todos têm uma justificativa. Quem fornece afirma que é a pedido da clientela; quem consome justifica que a bisnaga propicia porções mais generosas e quem fiscaliza alega que a população precisa ajudar denunnciando.
A polêmica sobre o uso de molhos em lanches, pastéis e salgados ressurgiu no último final de semana, quando 60 pessoas sofreram intoxicação após consumirem produtos em um trailer de lanches no centro da cidade. Sem se identificar, o responsável pelo estabelecimento pediu desculpas mas confirmou que fabricava a maionese. ''Acho que a vilã disso tudo foi a maionese'', argumentou, completando que o problema deve ter relação com os ovos utilizados. De acordo com o lancheiro, os cinco funcionários trabalham com luvas, quem monta os lanches não tem contato com dinheiro, há geladeiras diferentes para alimentos e bebidas e o trailer é lavado todo dia. Ele apontou ainda que sua licença sanitária foi renovada há menos de um mês.
Quem costuma comer lanches fora de casa confessa que acaba consumindo molhos servidos em bisnagas. A estudante Rosane Aparecida Rodrigues, que estava com a mãe e a filha de quatro anos em um carrinho de salgados na avenida São Paulo contou que prefere os sachês porque é mais higiênico. Mas quando não tem, consume molhos de bisnagas. ''Para crianças, por exemplo, é mais fácil de usar sem sujar'', comentou.
Lancheiros ao lado do Terminal afirmaram que a grande maioria dos clientes preferem as bisnagas porque podem se servir à vontade. ''O sachê a gente costuma dar só dois e não dá para o lanche inteiro'', disse uma ambulante. Um outro confessou que conhece a lei municipal mas que é pressionado pela clientela. ''A gente usa maionese industrializada dentro da bisnaga'', amenizou. Outro lancheiro revelou que a notícia da intoxicação gerou temor entre alguns clientes: ''Tem gente que fica preocupada mas a maioria não está nem aí''.
O diretor de saúde ambiental da Secretaria Municipal de Sa© úde, Maurício Barros, alegou que muitos estabelecimentos burlam os fiscais da Vigilância Sanitária. As denúncias podem ser feitas nos telefones 3376-1905 ou 3376-1983.

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