Foi retirado de pauta novamente ontem, por duas sessões, o projeto de lei que declara de utilidade pública com fins de tombamento o 'Relojão' do Edifício América (Área Central). O proprietário do relógio, Urias Alves, 68 anos, é contra a iniciativa e foi à Câmara ontem protestar. Ele acabou não sendo ouvido em plenário, o que deve ocorrer quando o projeto voltar à pauta.
Alves teme perder o contrato de publicidade com a Sercomtel caso a lei seja aprovada. Ele é responsável pelo funcionamento do relógio desde 1987, quando adquiriu a sala térrea do prédio. ''Como a parte térrea e o relógio estavam juntos na escritura, quem comprava uma coisa levava a outra de lambuja'', conta.
Além dos custos de manutenção e energia elétrica, Alves tem que pagar a área ocupada pelo relógio no rateio do condomínio. ''Veja só, o condomínio total do prédio é de R$ 12,6 mil; só eu pago R$ 4,4 mil, enquanto quem tem uma sala comercial paga R$ 138'', argumenta.
Depois do 'Relojão' ficar um tempo sem funcionar, a Sercomtel fechou um contrato de publicidade com Alves e repassa, segundo ele, cerca de R$ 2,7 mil mensais. ''Se estão tão interessados basta desapropriar o relógio e arcar com a parte dele no condomínio. Não vou querer um tostão'', argumenta.
O autor do projeto, Leonilso Jaqueta (PMDB) contrapõe que a idéia do projeto é garantir a preservação das características do relógio.

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