Lei do fumo não deve entrar no ônibus
Maigue Gueths
De Curitiba
Tem poucas chances de ser aplicada aos ônibus de viagem a lei, recentemente aprovada pelo Ministério da Saúde, que permite o fumo a bordo de aviões e veículos de transporte coletivo, desde que em área especial e isolada, que impeça a fumaça de atingir os outros passageiros. Cinco responsáveis por empresas de transporte coletivo, contatados ontem pela Folha, foram unânimes ao afirmar que há dificuldades para se estabelecer uma área reservada e isolada para os fumantes.
Se depender dos passageiros, os protestos não devem ser muitos. A maioria dos fumantes que aguardavam seus ônibus ontem na Rodoferroviária de Curitiba disse que é contra fumar em local fechado. Eu não admito que se fume dentro do ônibus, que pode ter crianças, gestantes, e não é conveniente, disse a dona de casa Lourdes Salvati, que ia viajar para Paranaguá. Viajar de ônibus e com gente fumando, Deus me livre, dizia o marceneiro Aristides Dobeck, que não fuma e esperava o ônibus para Recife (PE). Seu filho, Edson Robeck, apesar de fumante também acha que ônibus não é lugar de cigarro.
Já o comerciante Zilnei Ribeiro da Silva, que fuma uma carteira por dia e viaja constantemente ao nordeste, concorda que não deve existir espaço para fumantes em ônibus, que têm paradas a cada 3 horas e é possível fumar na cabine do motorista. Mas em aviões, ele acha que o fumo é fundamental. Hoje não dá mais para fumar nem voando, nem em terra, e um fumante não consegue ficar 8 a 10 horas sem fumar. Por isso, nos aviões esta lei é boa, disse. Mais radical, José Carlos Rossito, que fuma há 39 anos e viajaria até Camboriú (SC), falou que concorda com a lei. É uma boa, mas se eles permitissem fumar lá na cabine já ajudava.
Para as empresas, a grande dificuldade está em adaptar os ônibus para essa lei. Hoje, uma lei estadual proíbe o fumo em viagens estaduais. Nos roteiros interestaduais só é permitido fumar em ônibus sem ar-condicionado, que não têm as janelas lacradas. Todas as empresas contam que é comum os passageiros burlarem a lei e acenderem cigarro escondido. O motorista avisa no começo que não pode fumar, mas sempre tem alguém que acende o cigarro escondido. E os outros passageiros reclamam, contou Jair Bueno de Camargo, motorista instrutor da Princesa dos Campos. João Marinho Santana, encarregado de agência da Eucatur, que faz viagens de até 50 horas para Rondônia, disse que é comum isto acontecer na sua empresa também.
Pedro Márcio Semmer, encarregado da agência da Reunidas, que faz viagens para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Interior do Paraná, também diz que é impossível fazer um lugar isolado dentro do ônibus para os fumantes. Para as empresas, os únicos ônibus que poderiam receber esta adaptação seriam os executivos ou leitos, com sala de estar ou sala vip. Mas, pelo menos por enquanto nenhuma delas têm planos para estas mudanças.Passageiros e representantes de empresas de ônibus afirmam que há dificuldades em cumprir a nova lei que isola fumantes
Kraw PenasVícioJosé Carlos Rossito, que fuma há 39 anos: É uma boa, mas se eles permitissem fumar lá na cabine já ajudava





