'Lei do Barulho' divide donos de bares e vizinhos
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quinta-feira, 03 de maio de 2001
Mauricio Della Barba 
As discussões sobre a polêmica lei do barulho, que coloca músicos, donos de bares e a população em confronto, estão pelo menos mostrando uma nova realidade à nossa cidade. O dilema entre cantar ou dormir é a prova de que Londrina, a cada dia do futuro, deixa de lado a cara de cidade pacata e evolui para se tornar uma metrópole. Nesse caminho, o horário e o sossego passam a ser comprometidos.
Todos já foram um dia jovens e souberam aproveitar a noite e seus encantos. Músicos, donos de bares e a população se vêem agora em um dilema: cantar ou dormir. De um lado estão os músicos e os jovens que, por lei da natureza, sobrevivem e aproveitam da noite as suas opções. Já do outro lado, a família que, cansada e extasiada do barulho, conclama seu direito ao sono tranquilo.
Ambos têm lá sua razão em protestar e exigir seus direitos. Mas para encontrar uma solução é preciso haver bom senso de ambos lados, respeito e principalmente leis cabíveis que se façam valer. Londrina se tornou uma cidade grande. E grande quer dizer mais gente, mais carros, mais bares e mais barulho. Já se foi a época em que o sossego era possível para os habitantes da região central. Já se foi o tempo em que os músicos só precisavam de um banquinho e um violão.
Vincular o tamanho e a região onde o bar está instalado com o horário de veiculação da música pode ser uma sugestão viável. Pela idéia, bares pequenos e em regiões residencias, estariam liberados para tocar música até as 22 horas. Bares médios em locais comerciais até as 24 horas. Bares grandes, fechados e com preparação acústica até as 2 horas poderiam funcionar tranquilamente.
São alternativas para o trabalho e para o sossego de muitos. O certo é que não podemos mais tampar os olhos e, principalmente, os ouvidos ao crescimento frenético de uma cidade como Londrina. Assim como queremos o progresso do comércio, de indústrias, também devemos estar abertos para o progresso social e cultural. Sem esquecer, é claro, da evolução ou, pelo menos, da manutenção de nossa qualidade de vida.


