Lei deve melhorar mercado de remédios
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Lúcio Horta 
A entrada nas farmácias brasileiras de produtos com o nome genérico - principal componente de cada medicamento - vai mudar o perfil do mercado farmacêutico do País. A opinião é do consultor Marcos Ferreira, da empresa Neoquímica, de Anápolis (GO), que está percorrendo o Brasil para falar com médicos e empresários do setor farmacêutico sobre as novas tendências do mercado.
Já temos mais 42 reuniões agendadas em diversas cidades. O que nós queremos é fazer um trabalho de introdução e solidificação do genérico no Brasil, explicou Ferreira em passagem por Londrina, onde proferiu palestra na noite de segunda-feira no Buffet Carvalho. Ontem era a vez de Maringá, quando falaria no Hotel Deville.
As palestras - que já foram realizadas em capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza - começaram depois da aprovação da lei 9.787, sancionada em 10 de fevereiro pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Pela nova lei, que está em fase de regulamentação e entrará em vigor no segundo semestre, todo medicamento deverá destinar ao nome genérico (substância ativa) o mesmo espaço ocupado pelo nome comercial (a marca) na embalagem. Além disso, laboratórios poderão fabricar medicamentos sem nome comercial, apenas genérico, o que diminuiria custos inclusive com publicidade.
O genérico hoje é uma realidade. E dará a possibilidade de acesso ao medicamento a milhares de brasileiros, face a existência de um preço de 30% a 40% inferior ao da marca, afirmou o consultor. Segundo ele, o mercado de medicamentos hoje atinge 45 milhões de pessoas e movimentou no ano passado mais de R$ 10 bilhões. Desse total, os genéricos participaram com apenas 3% ou 4%.
A estimativa é que, com a nova lei, deverá aumentar não só o número de consumidores como também a participação dos genéricos nas prateleiras das farmácias e nas licitações públicas. A projeção é que, dentro de cinco anos, os genéricos alcancem de 15% a 20% do mercado, disse. Nos Estados Unidos, por exemplo, 70% dos médicos prescrevem pelo nome genérico. Então a tendência de crescimento dos genéricos é muito grande.
Marcos Ferreira disse que mesmo as grandes indústrias deverão competir no segmento dos genéricos, fabricando linhas específicas de medicamentos junto com os produtos que já têm marca conhecida no mercado. A rentabilidade do genérico também é boa porque o produto, nas farmácias, é mais agressivo, observou.
O consultor apontou que, a partir de agora, o maior desafio dos genéricos - que já somam no País 15 laboratórios nacionais e uma multinacional - é mostrar ao consumidor que seus produtos são tão confiáveis quanto as marcas tradicionais, fabricadas pelos grandes nomes da indústria. Credibilidade depende de qualidade. E o governo tem interesse e está agindo com rigor na fiscalização.


