Lei de trânsito é motivo de curiosidade
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Luciane Tonon Nova América da Colina 
Luciane TononÉ lei: carros ficam estacionados do lado esquerdo da rua, junto ao canteiro centralA cidade não é Greenville, da novela das oito, e o prefeito não se chama Ipiranga Pitiguari. Mas, como na ficção, o prefeito de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio), Elpídio Bezerra de Melo (sem partido), sancionou projeto que modifica o estacionamento na avenida principal da cidade para o lado esquerdo. A mudança foi colocada em prática há dois meses e está despertando curiosidade.
O projeto, de autoria do vereador José Alves de Souza, foi elaborado em março deste ano. Ele alegou na época que com os veículos estacionados do lado direito da rua, caminhões e ônibus que passavam perto do canteiro central da avenida estavam estragando as árvores e tendo as carrocerias riscadas.
O prefeito concordou com o projeto para evitar danos, conforme justificou: Achamos por bem tanto para os motoristas de grandes veículos, que tinham seus veículos riscados pelas árvores, quanto para a preservação do canteiro. Melo alegou ainda que em cidades maiores, estacionar do lado esquerdo é normal. Em várias ruas de Londrina, por exemplo, o estacionamento é na esquerda. Por que aqui não?
O chefe da 19ª Ciretran de Assaí, Antônio Francisco da Silva, que atende Nova América da Colina, explicou que do ponto de vista legal é inconcebível a idéia de mudança no trânsito da forma como foi feita.
O prefeito tem autonomia para mudar a legislação municipal, mas não pode ferir a lei estadual e federal, como é o caso, explicou o chefe da 19ª Ciretran de Assaí, Antônio Francisco da Silva, que atende Nova América da Colina. Segundo Silva, qualquer cidadão que for multado por estacionar do lado direito pode recorrer à Justiça.
Silva esclareceu ainda que os estacionamentos à esquerda são permitidos quando a rua tem mão única. Já em caso de avenidas duplas, é inviável. Talvez o prefeito tenha que revogar este projeto.
Para a comunidade, a adaptação com a mudança levou alguns dias e ainda causa revolta. O comerciante Juvenil Ribeiro da Costa disse que os motoristas de caminhões que entregam mercadorias em supermercados reclamam por ter de atravessar a rua para fazer a descarga.
Eles sempre brincam que deveria também mudar o lado da direção do carro, como na mão inglesa, comentou. O comerciante disse também que as crianças que descem de ônibus escolares têm dificuldades para atravessar a rua. A sorte é que a cidade não tem muito movimento de veículos.


