Lei das águas pode ter falhas
Luciana Pombo
De Curitiba
O gerente da Unidade de Hidrogeologia da Sanepar, Arlineu Ribas, questionou ontem o capítulo VII do substitutivo de lei que cria uma política estadual de recursos hídricos e que trata sobre os depósitos de águas subterrâneas. De acordo com ele, o assunto é tratado com superficialidade e não garante a proteção dos mananciais subterrâneos do Paraná. Esta lei é muito deficiente e não previne a contaminação dos lençóis de águas puras e subterrâneas, afirmou ele.
Segundo Ribas, 70% da água doce existente na Terra é proveniente de geleiras e não pode ser usada para beber, 29% vem de origem subterrânea e 1% de rios e lagos. As águas subterrâneas serão a melhor fonte de captação de água potável e temos que preservá-las, disse ele. No Paraná, existem atualmente mais de 800 poços de água subterrânea, são 500 sistemas de água em cerca de 240 municípios. Exploramos ainda muito pouco, mas temos que garantir que esta água não será explorada de forma incorreta, contaminando essa fonte, disse.
A grande preocupação é em relação aos lixões e aos condomínios que exploram individualmente as águas subterrâneas. Muitos poços construídos em meio urbano estão contribuindo para a contaminação dos aquíferos devido à péssima qualidade construtiva e a localização, explicou.
Para Arlineu Ribas, os deputados deveriam rever a lei e ouvir os especialistas paranaenses no assunto. Acho que geólogos, empresas do setor, produtoras de água mineral, técnicos da Sanepar e da Mineropar poderão colaborar para o aperfeiçoamento da lei, disse ele.





